Reciclagem: me ajude a te ajudar

Hoje vi uma cena curiosa. Estava em um lugar que faz coleta seletiva de lixo. Ou seja, tem aquelas latas coloridas, uma para papel, outra para plástico, etc. Política e ecologicamente correto, se não fosse por um detalhe: a faxineira passou recolhendo o lixo e juntou tudo em um único saco preto gigante. Fiquei olhando e pensando: pra que separar se depois vai juntar tudo?

Quer dizer então que a coleta seletiva é só para inglês ver, para mostrar aos outros que você é consciente e se preocupa com o planeta? Mas no fundo varre tudo para baixo do tapete, não separa nada e se bobear nem encaminha o lixo para a reciclagem.

Aliás, reciclagem é um assunto tão falado mas muito pouco entendido. Para onde vai todo aquele lixo que separamos? Nos nossos prédios, nas empresas, nos shoppings, nunca parei para pensar se tudo aquilo realmente é reciclado ou se no final eles juntam tudo e não reciclam nada. A gente separa cada coisa em sua lata e esquece, achando que a partir daí tudo é encaminhado para os devidos lugares. Mas na verdade, não temos como saber se todo mundo que diz fazer coleta seletiva realmente o faz. Não há fiscalização, cobrança nem nada. Sustentabilidade é a palavra da moda, toda empresa quer ser verde, reciclar é bonito, mas parece que tem gente optando pelo caminho mais fácil: a consciência ecológica de fachada.

Mas vamos ser otimistas e acreditar que a maioria realmente encaminha o lixo para reciclagem. Ainda sim temos um problema: a desinformação. O que é reciclável e o que não é? O que pode e o que não pode ser jogado em cada lata? Guardanapo usado, por exemplo. Muitos diriam que “é óbvio que é papel”, mas já me falaram que se estiver sujo com gordura, não dá para reciclar, e vira lixo comum. E palito de sorvete? Sachê de ketchup? Embalagem de toddynho? Eu nunca sei, já procurei saber e as informações são desencontradas, ninguém sabe ao certo o quê deve ir aonde. Só latas de refrigerante que eu não tenho dúvida. Pelos menos até inventarem latas de algum outro material.

O fato é que, por mais que queiramos ajudar, fica essa sensação de que estamos apenas fingindo preocupação e brincando de reciclar. Mas como tudo no Brasil, é feito nas coxas (o maldito jeitinho), ao invés de conscientização temos dúvidas e desinformação. Eu tento fazer a minha parte, separando o lixo e tentando jogar cada coisa em sua respectiva lata, mas cada praça de alimentação tem um esquema diferente e nunca sei se joguei o lixo nos lugares corretos. Se quisermos realmente uma reciclagem efetiva, precisamos saber exatamente como proceder com cada coisa que jogamos, pois só boas intenções não vão salvar o planeta.

Como diria um personagem famoso em um contexto completamente diferente, você tem que me ajudar a te ajudar.