Errar é humano, mas dá pra amenizar

Eles estavam demorando, no começo estavam meio tímidos, mas com o tempo foram aparecendo, cada vez piores. Errar é humano, apitar o erro é burrice, negar o uso da tecnologia para minimizar os erros, além de uma burrice maior ainda, é sinal de mentalidade ultrapassada, ranzinzice retrógrada e estupidez sem tamanho. E como sempre, cada vez que acontece uma cagada gritante, o assunto volta à tona. A Fifa, esse bando de senis idiotas, que é a responsável pelo futebol, diz que não é responsabilidade dela. (Como assim?)

Apesar da Fifa ter soltado aquela conversa pra boi dormir, dizendo que vai rever a questão após a copa, blablabla, zzzzz… Bem, é sabido que os velhinhos que dirigem a entidade não devem se dar muito bem com essas coisas de tecnologia e tal, mas tem uma medida muito mais simples, que poderia ser bem mais eficaz para evitar erros grotescos que sempre ocorrem. A ideia, inclusive, é inspirada em outros esportes.

O tênis, por exemplo. A quadra tem 23,77m por 8,23m e 5 juízes em média (varia de acordo com o torneio). Bom, se considerarmos 5, cada juíz cobre uma área aproximada de 39 metros quadrados. Claro que não é exatamente isso, já que a maioria são juízes de linha, que ficam apenas vendo se a bola saiu, mas o fato é que são funções altamente especializadas, já que este é um fator crítico para o resultado do jogo. E se um deles falhar, ainda há a possibilidade de usar a tão temida (só pela Fifa, claro) tecnologia, com o tira-teima que é um dos recursos mais legais que existem no tênis.

No vôlei é parecido, a quadra tem 18 x 9 metros e 2 árbitros principais (o de cima e o de baixo), além de 2 fiscais de linha de cada lado. São, portanto, 27 metros quadrados para cada um. Novamente a conta é grosseira e não reflete a realidade, já que na prática os fiscais de linha só precisam cuidar das extremidades, o que dá uma área bem menor para prestar atenção. No vôlei de praia as dimensões são parecidas, e a média não fica muito diferente disso.

Agora no futebol a coisa é bem diferente. Se pegarmos os valores mínimos das medidas oficiais (90 x 45m) e dividirmos pelos 4 árbitros dá mais de 1000 metros quadrados para cada um. Isso sem levar em conta que o quarto árbitro não faz porra nenhuma (eu sei que ele faz, mas não é nada que possa influenciar o resultado de uma partida).

Ou seja, se no vôlei, basquete, tênis e até futebol de salão, em que os árbitros tem um espaço muito menor para prestar atenção, já ocorrem erros, que dirá no futebol, que exige que o juiz seja um super-homem. Além de correr pra caralho, o sujeito tem que ter uma visão além do alcance. A regra do impedimento muitas vezes é inviável para o olho humano. Sem contar que a visão também tem que ser de raios-X, pois sempre tem aquela desculpa de que o jogador encobriu a visão do árbitro. Ele é um só e a área a ser coberta é muito grande. Se tivesse um sujeito de cada lado só pra ver se a bola entrou, outro só pra verificar os impedimentos e assim por diante, já diminuiria bastante a quantidade de erros.

Mas nem mudanças simples como essa são sequer cogitadas pela Fifa. Ela só é o que é, e só se dá o luxo de ser tão arrogante pelo fato do futebol ser tão popular. Só nos resta então esperar, escutar as promessas de que mudanças serão feitas e se frustrar por não terem sido implementadas (ou alguém aí realmente acredita que algo vai mudar?).

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Economizando não só em casa

Outro dia vi uma reportagem interessante mostrando onde a água do mundo todo é usada. E algo que me chamou muito a atenção é que, de toda a água que a humanidade usa, nada menos do que 90% (preste atenção, noventa porcento, ou seja, quase tudo) é usada pela agropecuária e indústria. Apenas 10% é consumida por nós, meras pessoas físicas mortais.

Agora pense comigo, até que ponto são realmente efetivas as campanhas para economizar água? Não estou dizendo para desperdiçarmos, afinal escovar os dentes com a torneira ligada e tomar banhos de meia-hora são uma grande estupidez, com consequências direta$ e indiretas. Mas eu não vejo campanhas para conscientizar e incentivar a indústria e o agro-negócio a economizarem água. Afinal, se eles são responsáveis por 90% do consumo, é injusto jogar toda a culpa nos usuários domésticos.

Algo parecido deve acontecer com a energia elétrica. Um hiper-mercado 24 horas deve gastar mais em um dia do que todos os clientes que passaram por ali nesse mesmo dia. A empresa onde trabalho também deve gastar mais do que todos os funcionários juntos, já que muita gente passa mais tempo ali do que em casa. E mesmo que não passe, a maior parte do tempo que ficamos em casa estamos dormindo. Pelo menos é o meu caso, só uso as luzes de casa durante poucas horas do dia. Já no trabalho, são mais de 8 horas diárias. No entanto, as campanhas são sempre voltadas para o usuário doméstico. Nesse mundo politicamente correto, onde toda empresa quer ser “verde”, parece uma incoerência direcionar todo o esforço justamente para quem gasta menos.

Claro que, como cidadãos conscientes, responsáveis e etc, devemos fazer a nossa parte. Mas não adianta nada se os “grandes” não fizerem.

update: O Sávio deu uma grande idéia para economizarmos água. Ainda é focada no usuário doméstico, mas creio ser adaptável para o usuário, digamos, “corporativo”

Economia, onde?

Todo ano é o mesmo papo: “Com o horário de verão o Brasil vai economizar X milhões de reais”.

Ok, não duvido. A idéia de termos luz natural durante mais tempo etc e tal até que faz sentido. O que não faz sentido é, na mesma época, gastarmos milhões – talvez os mesmos que seriam economizados – com decoração de natal. Milhares de luzes piscantes cobrindo prédios, árvores, viadutos, monumentos, fachadas de casas e lojas, bonecos gigantes que se mexem, enfeites de 10 metros de altura, enfim, um desperdício fenomenal de energia elétrica. Só a decoração de um único shopping deve gastar mais do que o chuveiro de todos os seus visitantes juntos. Ora, o horário de verão foi feito realmente para economizar ou para compensar os gastos – excessivos, diga-se de passagem – com as luzes natalinas? Depois, quando ouvem falar em apagão, todo mundo se apavora e põe a culpa no governo (que também é culpado, mas não é o único).

“Ah, mas a decoração de natal é tão bonita!”, dirão as pessoas mais Pollyanas. Foda-se, se por causa dela tivermos um racionamento de energia, eu prefiro que a cidade fique feia – ou que fique como ela é durante os outros 11 meses do ano, fato do qual ninguém reclama – mas que economizemos agora para não se fuder depois. Assim talvez nem precisássemos do horário de verão, já que este é um grande estorvo, pelo menos para mim, que trabalho com programação.