Quem diria, reclamar às vezes funciona

Há algumas semanas atrás, alguns canais da Net estavam fora. Liguei para o call center já esperando aquela aporrinhação característica, mas dessa vez superaram qualquer expectativa. Fui atendido pela atendente mais mal educada, mal humorada e provavelmente mal comida que nenhum call center jamais concebeu. Mal acabei de falar meu CPF e já fui tratado com descaso, desdém, tom de voz agressivo e vários “aff” durante a conversa. Isso porque ainda nem tinha explicado meu problema. Foi a pior experiência que tive, bem pior que ficar uma hora escutando musiquinha para ser atendido, muito pior que a ligação “cair” no exato instante em que eu disse que iria cancelar o serviço.

Em compensação, o técnico que veio em casa alguns dias depois resolveu o problema de maneira rápida e eficiente. Mas o péssimo atendimento do call center ficou entalado na garganta. Resolvi enviar uma reclamação para a Net, mesmo sabendo – baseado em experiências anteriores com empresas que não estão nem aí para os clientes – que não daria em nada. Entrei no site, loguei na minha conta de assinante, preenchi o formulário informando o gigantesco número de protocolo e desencanei, achando que a minha reclamação iria parar em um limbo qualquer.

E não é que, para minha surpresa, alguns dias depois a Net me liga? Eles não só pediram “desculpas por todo o constrangimento”, como também me ofereceram um aumento na velocidade da internet, por um preço promocional. Desconfiado que sou, fui conferir no site e lá estava o preço que me ofereceram. Mas no site a promoção era por tempo limitado (dizem), já no meu caso eles fariam esse preço “para sempre”. Bom, como este tipo de situação é raro, aceitei. A velocidade realmente aumentou, e por enquanto o preço está certo.

Pois é, reclamar às vezes funciona.

Reflexões em torno do Grill do boxeador

Comprei um George Foreman Grill. Pois é, justo eu, que sempre fui extremamente cético com relação a qualquer produto cujos comerciais seguem o estilo bizarro do PoliShop, que consistem em mostrar que o produto é a última Coca-cola (ainda tem hífen?) do deserto, que resiste à chuva, sol, fogo e tiros de metralhadora, que além de conservar os alimentos, melhora sua pele, evita a queda dos cabelos, desencrava as unhas, emagrece, faz o carro andar mais, dobra a autonomia da bateria do celular, é prático, fácil de usar, durável, econômico, versátil, cura o câncer em estágio avançado, faz os aleijados andarem e os cegos enxergarem (não confundir com igrejas evangélicas picaretas), e as primeiras duzentas pessoas que ligarem levam inteiramente grátis um brinde qualquer que é tão incrível quanto o produto principal, que nem dá para entender porque estão dando de graça.

Esse meu ceticismo teve início basicamente na época das meias Vivarina (que nunca desfiavam, nem mesmo se você tentasse cortá-las com uma faca) e das facas Ginsu (que cortavam tudo, menos as meias Vivarina). O negócio era tão absurdo que beirava o ridículo, um dos comerciais mostrava a faca cortando um cano de chumbo! Para quê alguém vai querer ter uma faca dessa em casa? E a narração ensandecida, estilo Galvão Bueno, só reforçava o inverossímil da situação. Isso tudo fez com que eu desenvolvesse um preconceito enorme com qualquer produto que fosse anunciado dessa maneira.

Mas eis que, algumas semanas atrás, vi o Grill do boxeador em funcionamento. Deixando de lado todo aquele exagero ridículo dos comerciais, pode-se dizer que o negócio funciona de maneira satisfatória. Claro, ao contrário do que a propaganda quer que acreditemos, ele não é a solução de todos os problemas culinários do mundo, mas percebi que seria muito útil para mim, que moro sozinho, não tenho fogão nem saco para cozinhar, e já enjoei de comida de micro-ondas (e esse aqui, tem hífen?).

Para começar, ele é bem simples. Você liga na tomada e pronto. Não tem milhares de botões, regulagem de temperatura, programas para fazer a comida X ou Y, nada disso. Ele liga e desliga, e só. Quer preparar algo? Liga. Ficou pronto? Desliga. Esqueça a balela que você vê na propaganda, o negócio é só uma sanduicheira turbinada, nada mais. O que é ótimo, pois eu sempre quis fazer o hambúrguer direto na sanduicheira.

Muitos dizem que não é necessário lavar louça, mas isso é mais ou menos verdade. Porque a bandeja para onde vai a gordura tem que ser lavada sim, senão fica um nojo e com o tempo pode até criar vida própria e sair andando pela casa. E o tempo que você gastaria lavando panelas mais a água e detergente são compensados pela quantidade obcena de papel toalha necessária para limpar o grill. Mas tudo bem, não existe nada auto-limpante neste mundo, ao contrário do que os fabricantes de micro-ondas querem que a gente pense.

A única irritação gerada por esta aquisição foi o fato dela seguir o novo e ridículo padrão de tomada, o de 3 pinos juntinhos. Não sei quem foi o imbecil que resolveu criar MAIS UM padrão – dizem que padrões são bons, por isso temos vários – pois nenhuma tomada do meu apartamento é compatível. Isso porque meu prédio só foi construído há 2 anos. Por causa dessa merda de padrão que ninguém segue tive que comprar um adaptador. E adivinha quanto custa essa pecinha VAGABUNDA de plástico, tão mal-feita que parece que vai quebrar só de você tocá-la? Sete reais! Por um adaptador vagabundo!

Resumindo, no final das contas, o produto que eu achava picaretagem foi o que me deixou mais satisfeito, e o produto que ninguém precisava – a não ser o dono da fábrica de adaptadores, que provavelmente é deputado e/ou participou do lobby para aprovar este “padrão” – foi o que mais me deu dor-de-cabeça. O que me leva a crer que George Foreman é um empreendedor de sucesso – ou no mínimo um ótimo garoto-propaganda – e que o governo brasileiro é o mais imbecil do mundo, pois concentra esforços em coisas desnecessárias como anti-padrões e acordos nucleares com países de reputação duvidosa.

Minhas pequenas paranoias

Antes de começar, ainda não me acostumei com a ideia de escrever paranoia sem acento. Mas este não é o assunto do post.

Acho que todos, em maior ou menor grau, têm algum tipo de paranoia, por menor que seja. Neste mundo moderno em que vivemos, com milhares de picaretas, estelionatários, bandidos e afins, a paranoia mais comum é a da violência urbana. Sempre que estou dirigindo e paro em um semáforo ou congestionamento, olho o tempo todo para os lados, para o retrovisor, para a frente, quase nunca fico tranquilo. Geralmente procuro não ficar muito colado ao carro à frente e tento verificar possíveis rotas de fuga. Se estou a pé, ando rápido e olhando para trás em intervalos regulares. Se estou no meio de uma multidão, checo os bolsos a toda hora. Também visualizo rotas de fuga, chegando ao cúmulo de analisar se o piso é escorregadio, se a rua é movimentada e outros fatores que possam me atrapalhar em minha “corrida para salvar a vida”. Qualquer pessoa que não conheço é suspeita, eu olho torto para todos, sempre esperando o pior.

Claro que nem sempre fui assim. Essa maluquice toda começou após meu primeiro assalto – evidentemente no papel de vítima – e foi aumentando com o tempo. Hoje contabilizo 4 assaltos, totalizando alguns poucos trocados (não costumo andar com muito dinheiro), uma blusa, um celular e um vidro do carro quebrado (a última vez que me distraí no trânsito). Uma vez quiseram levar meu tênis, mas quando o ladrão viu que o dele era melhor, desistiu. A cada assalto a paranoia aumentava. Depois do quarto, aumentou tanto que passei a ter as atitudes malucas do parágrafo anterior. Ainda não precisei utilizar as rotas de fuga, e nem sei se na hora conseguiria reagir desse modo, mas de qualquer forma não me distraio mais na rua.

Outra paranoia começou quando comecei a receber muita correspondência bizarra. A mais estranha foi uma carta do clube dos comerciários, dizendo que eu ganhei uma câmera digital em um sorteio realizado em postos de gasolina (cuma?) e que deveria retirar o prêmio pessoalmente no referido clube, além de pagar uma taxa de qualquer coisa. Ou seja, eu ganhei um prêmio de qualidade duvidosa (pois era uma marca desconhecida) em um sorteio do qual não participei, e teria que ir até a puta que pariu (que eu nem sei se existe mesmo) para pagar por algo que não entendi do que se trata. Na hora achei que era golpe. Mesmo que não seja, não é a melhor maneira de se promover um clube, é spam da pior qualidade.

E foi após este “sorteio” que começou minha paranoia mais estranha. Sempre que vou jogar fora alguma correspondência, eu sempre rasgo meu nome e endereço em vários pedaços, de forma que em nenhum deles seja possível identifcar algum dado completo. Depois eu jogo esses pedaços em vários lixos diferentes. Aqui em casa tem um na sala, outro na cozinha e um em cada banheiro, totalizando 4 sacolas de supermercados diferentes. Além disso, eu também jogo um pedacinho em cada privada. E eu nunca levo as sacolas para o “lixo geral” do prédio no mesmo dia, dificultando assim o trabalho de eventuais vasculhadores de lixo alheio.

Claro que isso não resolve tudo. Existem outros meios de se conseguir o endereço de alguém. O link ao lado está desatualizado (meu endereço não consta, ainda bem), mas para golpistas desocupados é um prato cheio. Ainda bem que me mudei há pouco tempo, e só atualizei meu endereço em meia dúzia de lugares essenciais. Por isso hoje só recebo contas e eventuais propagandas do banco. Mas acho que vai levar um bom tempo para eu ganhar outro “sorteio”.

Who’s dead?

O título é um trocadilho meio óbvio e infame, mas eu não podia deixar de falar na morte de Michael Jackson. Acho que o fato pegou todo mundo de surpresa. Tudo bem que a situação dele não era das melhores, mas eu achei que ele fosse durar mais uma ou duas décadas pelo menos.

Apesar de nos últimos anos ele não ter feito nada de musicalmente relevante (muito pelo contrário), eu já fui fã dele. Nos longínquos anos 80, quando ainda tínhamos discos de vinil. Era uma época em que achar discos de artistas internacionais era muito difícil, e quando achávamos, o dinheiro da mesada não era suficiente. Uma época em que o Fantástico ficava anunciando a cada 5 minutos que iria passar “o mais novo clipe de Michael Jackson, que custou trocentos milhões de dólares”, e o clipe só passava no finalzinho do programa. Sempre ficava aquela tensão: e se minha mãe mandar eu dormir antes de passar o clipe? Você não imagina como era angustiante.

Enfim, na minha infância e uma pequena parte da adolescência, a época da vida em que somos mais suscetíveis à cultura pop, eu vi o auge de Michael Jackson. Até hoje gosto das músicas daquela época. Aquilo tudo foi realmente uma revolução. Clipes de orçamentos milionários, com 20 minutos de duração e efeitos especias incrivelmente inovadores para a época. Um estilo único de se vestir e dançar, que assim como Elvis – e em menor escala Silvio Santos – gerou uma legião de imitadores.

Depois vieram os jogos de videogame. Na verdade era só um (MoonWalker), mas tinha versões para fliperama e Mega Drive (tinha alguma outra? não lembro). A melhor de todas era a do fliperama. Curiosamente Ironicamente Coincidência ou não, o objetivo do jogo era salvar criancinhas. Será que desde aquela época ele já tinha tendências papa-anjísticas?

Bom, o tempo passou, ele ficou branco – e anunciou isso com uma música que diz justamente que a cor não importa – e depois começou a decadência. Processos de pedofilia, bebê balançando na janela, construção de um parque temático particular – com o sugestivo nome de Terra do Nunca, onde as crianças não crescem e ele poderia tê-las jovens para sempre – e plásticas cada vez mais bizarras.

Mas tudo isso acabou. Agora é só esperar alguém fazer a paródia “Who’s dead?”. Será que ficaria tão boa quanto esta?

Viadagem pode não ser o que você pensa

Não sei se você sabe, mas existe uma diferença entre vEado e vIado.

O veado é aquele bicho – atenção, eu disse bichO, ou seja, animal – saltitante, delicado e chifrudo – ainda estou falando do animal – imortalizado em um desenho da Disney (no referido desenho, apenas o veado é imortalizado; o mesmo não se pode dizer da mãe dele).

Já o viado é aquele sujeito esquisitão que tem na sua empresa/faculdade/vizinhança, que todo mundo sabe (por “sabe” entenda-se “desconfia”) que joga no outro time. É aquele cabeleireiro que sua mulher adora, é aquele sujeito metido a machão que à noite sai por aí dando uma de Ronaldo. Sim, na minha opinião, o sujeito que sai com traveco, no fundo – e nos fundos – é viado.

Enfim, viado é aquela minoria que você vê em toda parte.

Apesar desta diferença sutil na grafia, eu sempre achei que a palavra “viado” era apenas gíria, e que não existia oficialmente no nosso idioma. Mas eis que para minha surpresa, ela não só existe como tem um significado completamente inesperado:

viado
vi.a.do
sm Antigo pano listrado.

Não acredita? Tá no Michaelis. Como achei isso tudo meio estranho, resolvi pesquisar em outros dicionários e encontrei o mesmo resultado. Das duas uma: ou os dicionários online aderiram a uma das regras fundamentais piores práticas da internet (a cópia descarada de conteúdo) ou nós, pra variar, estamos usando mais um termo incorretamente.

Pensei em incluir algum comentário manjado dizendo que isso tudo é uma grande viadagem, mas achei que seria mais interessante divagar sobre o significado da palavra que até ontem eu achava que sabia.

Fico imaginando que raios de pano listrado é esse. Será que ele tinha 7 listras coloridas e servia para guardar moedas (ou qualquer outro objeto que possa ser colocado em um cofrinho) de ouro? Em que época a palavra “viado” foi usada para designar este maldito pano? Aliás, ela algum dia foi usada para designar alguma outra coisa que não fosse um… viado? Será que o pano virou moda entre as bibas e passou a ser sinônimo? Quem veio antes, o pano ou o homossexual?

Não que isso faça diferença na vida de alguém, mas essa língua portuguesa vive nos surpreendendo.

Sou um cachorro

Sempre morei um casas ou apartamentos de piso escuro. Ou eram aqueles tacos de madeira retangulares, ou era um ajulezo escuro, meio <coloque aqui um daqueles nomes de cor bizarros>. Talvez por isso nunca tenha percebido algo que só fui me dar conta agora.

Recentemente me mudei para um apartamento de piso claro. Não sei a cor direito, só sei que é muito claro, qualquer fio de cabelo no chão é percebido de longe. E foi aí que comecei a perceber que eu solto muito pêlo.

Todos os dias surgem mais e mais pêlos pela casa. Na sala, no quarto, no banheiro. São fios de cabelo, pentelhos (só no banheiro, tá pensando o quê?), pêlos da perna e do braço. A quantidade que se acumula em uma semana é inacreditável. Como é que eu nunca percebi isso antes? (eu sei que já respondi, foi por causa dos malditos pisos escuros)

Nunca mais reclamo de cachorro nenhum.

Sonho meu

Sonhos são bizarros.

Geralmente, nos sonhos, estou em algum lugar qualquer fazendo alguma atividade aleatória (andando sem rumo, correndo sem motivo, voando e achando normal, etc). De repente o cenário muda completamente: a rua vira um deserto, o topo da montanha se transforma em um quarto vazio, o mar vira sertão e eu nem preciso me secar. A sensação que tenho é que estou em um estúdio com aquela tela azul no fundo, onde o cenário vai mudando aleatoriamente e eu acho tudo normal. Ou melhor, parece que estou em algum programa de simulação da Matrix.

Uma vez eu sonhei que estava andando no meio da rua. De repente, passo por um sujeito qualquer, que estava andando na direção oposta. Ele passa por mim e some. De repente, eu passo por um portão e estou em outro cenário completamente diferente, e que eu nem me lembro qual era. Tem uma pessoa logo a frente, e adivinha: era a mesma pessoa que havia passado por mim há pouco. E eu não achei estranho, nem nada, para mim estava tudo absolutamente normal. Só mesmo em sonho. Se fosse na vida real, eu certamente ficaria preocupado.

Tem também os sonhos recorrentes. Tinha uma época em que eu sonhava sempre com a mesma coisa. Acho que eu aparecia sobrevoando algumas montanhas ou algo assim. Mas eu não voava ao estilo superman, era mais para uma tomada aérea, como se eu estivesse dentro de um helicóptero filmando. Só que sem o helicóptero. De repente eu “pousava” em uma das montanhas, onde estava acontecendo uma mega-batalha no melhor estilo Senhor dos Anéis (só que muitos anos antes de alguém pensar em fazer o filme). Pelo menos uma vez por mês eu sonhava com a mesma coisa. O interessante é que apenas alguns detalhes mudavam. Uma montanha estava um pouco diferente, os orcs estavam mais ensanguentados, teve uma vez que até choveu durante a batalha. Depois de um tempo, simplesmente parei de ter esse sonho.

Outro tipo de sonho bizarro é aquele em que você acorda no meio, geralmente fazendo algo que estava fazendo no sonho. Já sonhei que estava sem ar, e ao acordar vi que o cobertor estava tapando meu nariz. Por diversas vezes sonhei que estava tentando correr mas não conseguia mover as pernas. De repente, acordava com os pés enrolados no cobertor (acho que não me dou muito bem com meus cobertores). Ainda bem que nunca sonhei que estava sendo estrangulado.

Mas o mais bizarro de todos foi um sonho em que eu estava em um avião, e de repente eu pulo. No meio da queda eu acordo e vejo o chão do quarto vindo de encontro ao meu rosto. É isso mesmo, eu caí da cama e acordei no meio da queda! Foi tão rápido que não tive tempo de esboçar qualquer reação, simplesmente caí de cara no chão.

Sonhos, além de bizarros, podem ser traiçoeiros.