Oi, tudo bem? Claro que não!!

Depois da experiência anterior com a Net, achei que havia chegado ao fundo do poço do inferno dos call centers. Mas não há nada tão ruim que não possa piorar. Desta vez precisei ligar para o atendimento da Oi.

No primeiro contato, a ligação estava péssima, mal dava para entender o que o atendente falava. Eu pedi para ele repetir, e é claro que ele ficou irritado, começou a gritar de forma mal educada e disse para esperar enquanto verificava sei-lá-o-que no sistema. Claro que também me pediram o DDD, número do celular, nome completo e data de nascimento (isso porque teoricamente o call center já deveria detectar qual o telefone que está ligando, mas isso seria exigir demais de uma empresa de telefonia, não é mesmo?). Depois de 5 minutos de completo silêncio, a ligação do nada é transferida.

Atende outro sujeito, a ligação novamente está ruim (o problema não é com meu aparelho, já que fiz outras ligações no mesmo dia e estava normal) e novamente o sujeito ficou irritado quando eu pedi para ele repetir o que disse devido à péssima qualidade da ligação. De novo ele me pede o DDD, número do celular, nome completo e data de nascimento (para que integrar os sistemas, não é mesmo? vamos complicar tudo para o atendimento demorar mais). Novamente silêncio de 5 minutos e nova transferência.

Atende outra pessoa, eu digo que já fui transferido 2 vezes e só gostaria de saber quem é que poderia resolver meu problema (que em tese é simples: habilitar o roaming internacional). Ela pede meus dados de novo (DDD, número de celular, nome completo e data de nascimento) e me transfere de novo.

Quarto atendente, a ligação continua ruim, eu peço para repetir e mais uma vez o sujeito fica irritado. Ora, eu não tenho culpa se um call center que basicamente usa o telefone não consegue ter a competência de ter uma linha decente sem ruídos, fique irritado com quem fez esta merda, não comigo, porra! Eu digo que quero habilitar roaming internacional e o sujeito entende que é cancelamento. (se eu quisesse cancelar, talvez não fosse tão fácil assim). Eu digo que não, explico tudo de novo, novamente é pedido meu DDD, número de celular, nome completo e data de nascimento. Silêncio de 5 minutos e… finalmente sou atendido.

Ou não? Sei lá, me deu um medo enorme do sujeito ter cancelado tudo ou feito qualquer outra coisa bizarra no sistema. Pior que só vou descobrir quando já for tarde.

Ah sim, para fechar com chave de ouro, os filhos da puta não me deram um número de protocolo! Já fiz a devida reclamação na Anatel, vamos ver se funciona (não estou muito otimista, mas vamos dar uma chance, né?)

Por fim, concluo que, por pior que seja o call center da Net, existem coisas ainda piores e muito mais horrendas, como esta porcaria da Oi. Não dá nem para chamar de call center, de tão ruim que é. Espero NUNCA MAIS precisar desta bosta. Voltando de viagem vou começar a procurar outra operadora.

Update: algumas horas depois chegou o número do protocolo (por que não informar na mesma ligação como todos os outros call-centers fazem?). Para finalizar,  quando eu estava lá na gringa, toda vez que alguém me ligava aparecia o meu próprio número no identificador de chamadas! Eu consegui ligar para mim mesmo, olha só! Sensacional, não? 🙂

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Mas não pode elogiar mesmo

Não adianta. Foi só elogiar a Net que ela começou a dar mancada.

Foi só falar bem do atendimento, etc e tal, que algumas semanas depois a internet caiu. Assim, do nada. E mais de uma vez. Liguei no call center, fiquei meia hora e nada. O sujeito foi agendar uma visita e o sistema caiu. Desisti. Por sorte, alguns dias depois, ela voltou.

Agora foi a TV. 90% dos canais não funcionam mais. Assim, do nada. Os poucos que funcionam são os que eu nunca assisto. Liguei e já estou há mais de 20 minutos escutando musiquinhas genéricas e mensagens dizendo que a Net é rápida etc e tal. Sim, estou escrevendo este texto enquanto espero algum atendente me atender. Já li meus emails, meus feeds, assisti alguns vídeos idiotas no youtube e não aguento mais essa espera. O mais legal é que tenho o protocolo (003100338467421) mesmo sem ter sido atendido. É só ligar que já te dão um protocolo. Deve ser por isso que esse número é tão grande.

Será possível que não se pode elogiar nada? Quando finalmente eu acho que encontrei uma empresa séria que prioriza o atendimento ao cliente, quebro a cara e percebo que a realidade é uma merda.

O primeiro fail da Copa

Não, não foi da seleção (por muito pouco, aliás). O primeiro fail foi da Globo (e quem mais?).

Sim, a mesma que há algumas semanas se vangloriava de transmitir pela primeira vez todos os jogos da copa via streaming, mostrando que é moderna e antenada com os novos tempos, a tecnologia, a internet, a era da informação, blábláblá, etc.

Bem, e o que aconteceu de cara, logo no primeiro dia?

Globo Fail

É feio botar a culpa nos outros

Tudo bem, já era esperado que houvesse uma sobrecarga, um excesso de usuários maravilhados querendo experimentar a novidade. Era questão de tempo para o site chegar ao limite, e foi até mais rápido do que eu pensava.

O grande problema foi a arrogância, incompetência e/ou tirada-de-cu-da-reta explícita na mensagem de erro. Como assim, a “operadora de banda larga não tem estrutura neste momento para atender tantos usuários simultâneos se conectando à Globo.com”? PUTAQUEPARIU rede globo – em minúsculas mesmo, não merece mais respeito – quer dizer que a operadora agora controla a banda dos seus usuários por site?

Segundo a (falta de) lógica da globo, se todos os usuários da Net estiverem conectados, mas cada um no seu site predileto (orkut ou youtube), tudo bem. Mas se todos resolverem acessar o mesmo site ao mesmo tempo (google?) e não conseguirem, a culpa é da Net. Claro, a Net até deixa todos os seus usuários acessarem sites diferentes ao mesmo tempo, mas quando estes mesmos usuários acessam apenas um único site, sabe-se lá porquê, o consumo de banda aumenta tanto que excede a capacidade da Net. Caralho, faz tanto sentido quanto ter TV a cabo e assistir ao jogo na globo.

Bom, acho que tenho a solução. Ligue agora mesmo na sua operadora e peça para tirar a banda destinada ao youtube (já que este nunca cai, mesmo com tantos acessos simultâneos) e direcionar tudo para a globo. Ou assista na televisão, ué. Mesmo que a TV a cabo tenha aquele maldito segundo de atraso, fazendo seu vizinho comemorar o gol antes de você, ainda é melhor do que os 5 segundos de atraso do streaming (sim, eu testei).

Ah, para não falarem que só sei criticar, a globo percebeu a cagada e trocou a mensagem:

Consertando a cagada

Menos mal

Algum estagiário deve ter levado aquela bronca.

Brincar de Deus? Tá brincando…

A descoberta científica do momento – ou não, já que esse mundo globalizado muda tão rápido que qualquer notícia fica velha em questão de dias – é do Dr. James Craig Venter, que conseguiu, em termos bem simplistas, “criar vida sintética”.

Claro que o feito é bem mais complicado do que qualquer leigo poderia explicar. E por leigos leia-se a penca de jornalistas que, na falta de compreensão e criatividade, recorrem à velha expressão idiota e deveras sensacionalista que diz: “Cientista brinca de Deus” ou qualquer outra comparação superficial envolvendo o todo poderoso. Não é exatamente o que ele está fazendo, mas vende muito mais jornal do que “Cientista replica DNA de bactéria”. (Neste artigo você pode encontrar uma descrição mais detalhada, além de uma análise genial sobre o assunto e suas implicações filosóficas. Leitura mais do que recomendada.)

Os mais afoitos, devotos e/ou desinformados adoram usar a expressão “brincar de Deus”, geralmente de modo pejorativo, repulsivo ou com um certo desdém, toda vez que surge algum avanço da ciência, em especial no campo da genética. Só que eles esquecem que esses mesmos avanços possuem um potencial muito maior de salvar vidas do que qualquer ajuda divina que possa existir.

Um cientista que pesquisa células-tronco, por exemplo, não está brincando de Deus. Para começar, ele não está nem brincando, ele está fazendo um trabalho sério que pode salvar vidas, inclusive a dessas pessoas que acham que zigotos têm alma. Imagine que num futuro não muito distante, após termos ignorado os protestos da igreja, as pesquisas evoluíram a tal ponto que encontraram a cura para doenças hoje incuráveis. Imagine agora que um desses religiosos teve um filho com uma dessas doenças. Será que ele vai preferir rezar ou vai apelar para um médico e seu tratamento do demônio?

Cientistas não brincam de Deus justamente por adotarem abordagens diferentes. Preferem o “ver para crer” ao invés do “crer sem ver”, mudam suas verdades quando há provas concretas que a refutem e é graças a eles que você e eu podemos escrever em nossos blogs e qualquer pessoa do mundo pode ler. É graças aos cientistas que temos luz elétrica, celulares, carros, combustível para fazer esses carros funcionarem, eletrodomésticos e outras facilidades da vida moderna que os religiosos também usam e não conseguiriam viver sem. Se dependesse da igreja, não teríamos nem lampiões, ainda estaríamos queimando bruxas e pensando que a Terra é plana e fica no centro do universo.

Agora pense comigo, quem é que sempre quis ditar como é que as pessoas deveriam agir, pensar, falar, transar (só casando), (não) se masturbar, enfim, viver? Quem é que sempre foi dona da verdade absoluta, inquestionável, indiscutível, infalível (embora nem sempre plausível), que julga e condena quem questiona, que não nos dá provas, diz simplesmente que você deve acreditar e ponto, que resume todas as explicações a um único ser (ou seja, tem a resposta padrão para tudo), que já matou e causou guerras em nome de suas crenças?

Quem é que sempre achou que podia controlar a tudo e todos? Resumindo, quem é que sempre brincou de Deus? Isso mesmo, a religião! Dada a sua natureza, é mais do que esperado que ela fizesse isso, afinal, ela é a filial de Deus na Terra, não é mesmo? É ridículo ver que hoje a igreja é uma das primeiras a atacar a ciência, acusando-os de “brincar de Deus”, sendo que é algo que ela sempre fez, muitas vezes de forma autoritária e cruel (pergunte para os enforcados pela Inquisição).

E mesmo que a ciência esteja de fato brincando de Deus – não está, caramba! – ela com certeza produzirá algo infinitamente mais útil do que qualquer religião jamais conseguirá. Pena que os próprios religiosos não enxerguem isso.

Lá vem o maldito leão

E novamente vem aí o maldito imposto de renda. Assim como todos os outros impostos, tem um valor maior do que deveria, não sonegamos porque somos honestos (ou otários) demais, não sabemos como toda essa grana é usada – na verdade sabemos – e por mais que eu reclame não vai mudar nada.

Só que o imposto de renda é mais irritante ainda porque sou eu que tenho que calcular. Imagina, eu chego pra você e digo que você tem que me pagar. Digo que é obrigado por lei, senão você se fode bonito. E digo que é você que vai ter que se virar para adivinhar o valor, já que eu não vou te dizer. E se você for burro demais para calcular o valor correto, sinto muito, vou te colocar em uma listinha especial e você vai ter que rebolar para sair dela.

Nem venham me dizer que o governo não tem como calcular. Porra, todo mês ele já me fode capando meu salário direto da fonte, eu nem chego a ver aquele dinheiro. O banco já me manda um informe dizendo tudo que eu tenho que declarar. Se ele pode mandar para mim, por que não pode mandar para a Receita Federal e ela que se vire para calcular? Caralho, a carta do banco e o holerite já tem o CNPJ da fonte pagadora e os valores, manda tudo pra Receita e ela que faça as contas, porra! Afinal, é interesse dela receber, não?

Os bancos e empresas já poderiam mandar todo mês, assim a Receita poderia ir processando ao longo do ano, ao invés de concentrar tudo em apenas 2 meses e promover a correria geral, site congestionado e tantos outros problemas que surgem nesta época. Se o sujeito compra um carro ou uma casa, é obrigado a registrar. Bom, por que a prefeitura e o Detran já não avisam a Receita? Despesas médicas poderiam ser avisadas pelas operadoras de planos de saúde. Escolas poderiam enviar os dados de mensalidade e por aí vai. E para as coisas que não se encaixam nestas categorias (que nem sei quais são) poderia ter a opção da própria pessoa avisar a Receita (via formulário, internet, postos de atendimento, qualquer coisa) mas que isso também pudesse ser feito o ano todo.

Será possível que não dá pra fazer isso? Porque declarar essa merda é um saco, já que além do desgosto de ter que pagar algo que eu sei que não vai ter retorno, tem a perda de tempo de calcular o valor e o medo de ter preenchido algo errado e entrar na lista negra.

E o leão, que não tem nada a ver com a história, foi escolhido como símbolo deste maldito imposto. Mas até que faz sentido. Ele morde para sobreviver, e as presas que se fodam. O governo também. A única diferença é que uma hora o leão sacia a fome e para.

As tendências da moda que deveriam existir

Tudo bem que o verão é época de calor, mas este ano está insuportável. Às 8 da manhã já está abafado, à noite acordo de madrugada ensopado de suor.  E o pior de tudo, tenho que trabalhar de calça social, sapato e camisa. Pelo menos não vou de terno e gravata, mas num calor desses, qualquer coisa que passe dos joelhos e uma camisa por dentro desta coisa não ajudam em nada.

Sério, deveria existir alguma regra permitindo que as pessoas pudessem se vestir de maneira mais confortável. E por confortável entenda-se algo que não vai te esquentar mais do que a temperatura ambiente já está esquentando. Não estou dizendo para irmos todos de chinelo e regata ao trabalho, mas acho que o (mal)dito traje social deveria ser adaptado para épocas mais calientes.

Afinal de contas, as roupas, e consequentemente a moda em geral não passam de convenções sociais que definem o que é normal e aceitável em diversas situações. Se a gravata, cuja única função é… bem, a gravata não tem função, é algo que está na minha lista de coisas que não deveriam existir. Maldito seja quem a inventou, e mais maldito ainda seja quem convenceu as pessoas que usá-la é elegante. E se até algo tão inútil, odiado e trabalhoso de se vestir – nunca acerto o nó de primeira – foi socialmente aceito como elegante, qualquer outra coisa pode.

Por que ninguém até hoje inventou uma roupa que fosse elegante e ao mesmo tempo não te deixasse morrendo de calor? Algo como uma bermuda social, por exemplo (se tem calça, por que não bermuda?). Alguma camisa que não precisasse ficar por dentro da calça – ou no caso, da bermuda – pois este simples fato já aumenta o calor e desconforto em 90%. Esses estilistas viados só ficam fazendo aquelas roupas bizarras que ninguém vai usar. Em vez disso, poderiam usar toda essa criatividade para fazer algo realmente útil e lucrativo. Sim, lucrativo, pois só eu compraria 2 dúzias. E olha que sou mão de vaca para roupa social, pois odeio tanto que só tenho o mínimo necessário.

Entre tantas tendências que surgem todo ano (e ninguém segue), poderiam muito bem lançar uma linha de verão executiva e convencer as pessoas que é chique e elegante. Pelo menos no calor, pois não conheço ninguém que não reclame da roupa social nesta época. Se você é estilista, se trabalha em uma confeçcão, por favor, tente fazer isso! Prometo que nem cobro pela ideia, não te processo por plágio e serei um dos primeiros a comprar. Se o preço não for abusivo, claro.

Mais uma pequena evidência da idiotização da sociedade

Hoje fui jantar com a namorada. Total: R$ 32,60. Como bom casal moderno que somos, decidimos dividir a conta. Cada um com seu cartão de débito em mãos, perguntamos para a moça do caixa: “Divide por 2?”. A resposta: “Estou sem calculadora”.

Para tudo.

Como assim? Ela não quis fazer uma porcaria de divisão por 2, alegando que não tinha calculadora? Tivemos que fazer a conta de cabeça na hora – o que convenhamos não é nenhum bicho de sete cabeças – senão não conseguiríamos dividir a conta. Minto, minha namorada fez a conta e informou a moça do caixa. Eu estava paralisado em semi-estado de choque, custando a acreditar no que tinha acabado de ouvir.

O fato pode parecer bobo e corriqueiro, mas para mim evidencia a situação ridícula que a educação atingiu neste país. É mais fácil se apoiar na muleta de uma calculadora do que ensinar a fazer continha de dividir. Se o cara não tiver a maldita calculadora por perto, não consegue nem somar 1 + 1. No caso supracitado, a mulher nem ao menos se esforçou para fazer a conta, ou sequer procurou um papel e caneta para tal. Ela respondeu de bate-pronto, como se aquilo fosse algo impossível de se fazer sem sua querida muleta de calcular.

Não estou dizendo para queimar todas as calculadoras em praça pública. Só acho que ela deve ser vista como uma ferramenta que facilita, mas que não seja tão essencial a ponto de ficarmos sem ação na sua ausência. Se tiver, tudo bem, use. Se não tiver, faça a conta no papel, ou se ela for fácil (como dividir 32,6 por 2, por exemplo) faça de cabeça, mas não venha me dizer que não dá.

Estamos criando um país não só de pessoas burras, mas de pessoas preguiçosas, sem vontade de deixar de ser burro. E o pior de tudo é que toda essa mediocridade é incentivada, quando o correto seria combatê-la.

A cada dia tenho menos esperança neste país.