Reflexões em torno do Grill do boxeador

Comprei um George Foreman Grill. Pois é, justo eu, que sempre fui extremamente cético com relação a qualquer produto cujos comerciais seguem o estilo bizarro do PoliShop, que consistem em mostrar que o produto é a última Coca-cola (ainda tem hífen?) do deserto, que resiste à chuva, sol, fogo e tiros de metralhadora, que além de conservar os alimentos, melhora sua pele, evita a queda dos cabelos, desencrava as unhas, emagrece, faz o carro andar mais, dobra a autonomia da bateria do celular, é prático, fácil de usar, durável, econômico, versátil, cura o câncer em estágio avançado, faz os aleijados andarem e os cegos enxergarem (não confundir com igrejas evangélicas picaretas), e as primeiras duzentas pessoas que ligarem levam inteiramente grátis um brinde qualquer que é tão incrível quanto o produto principal, que nem dá para entender porque estão dando de graça.

Esse meu ceticismo teve início basicamente na época das meias Vivarina (que nunca desfiavam, nem mesmo se você tentasse cortá-las com uma faca) e das facas Ginsu (que cortavam tudo, menos as meias Vivarina). O negócio era tão absurdo que beirava o ridículo, um dos comerciais mostrava a faca cortando um cano de chumbo! Para quê alguém vai querer ter uma faca dessa em casa? E a narração ensandecida, estilo Galvão Bueno, só reforçava o inverossímil da situação. Isso tudo fez com que eu desenvolvesse um preconceito enorme com qualquer produto que fosse anunciado dessa maneira.

Mas eis que, algumas semanas atrás, vi o Grill do boxeador em funcionamento. Deixando de lado todo aquele exagero ridículo dos comerciais, pode-se dizer que o negócio funciona de maneira satisfatória. Claro, ao contrário do que a propaganda quer que acreditemos, ele não é a solução de todos os problemas culinários do mundo, mas percebi que seria muito útil para mim, que moro sozinho, não tenho fogão nem saco para cozinhar, e já enjoei de comida de micro-ondas (e esse aqui, tem hífen?).

Para começar, ele é bem simples. Você liga na tomada e pronto. Não tem milhares de botões, regulagem de temperatura, programas para fazer a comida X ou Y, nada disso. Ele liga e desliga, e só. Quer preparar algo? Liga. Ficou pronto? Desliga. Esqueça a balela que você vê na propaganda, o negócio é só uma sanduicheira turbinada, nada mais. O que é ótimo, pois eu sempre quis fazer o hambúrguer direto na sanduicheira.

Muitos dizem que não é necessário lavar louça, mas isso é mais ou menos verdade. Porque a bandeja para onde vai a gordura tem que ser lavada sim, senão fica um nojo e com o tempo pode até criar vida própria e sair andando pela casa. E o tempo que você gastaria lavando panelas mais a água e detergente são compensados pela quantidade obcena de papel toalha necessária para limpar o grill. Mas tudo bem, não existe nada auto-limpante neste mundo, ao contrário do que os fabricantes de micro-ondas querem que a gente pense.

A única irritação gerada por esta aquisição foi o fato dela seguir o novo e ridículo padrão de tomada, o de 3 pinos juntinhos. Não sei quem foi o imbecil que resolveu criar MAIS UM padrão – dizem que padrões são bons, por isso temos vários – pois nenhuma tomada do meu apartamento é compatível. Isso porque meu prédio só foi construído há 2 anos. Por causa dessa merda de padrão que ninguém segue tive que comprar um adaptador. E adivinha quanto custa essa pecinha VAGABUNDA de plástico, tão mal-feita que parece que vai quebrar só de você tocá-la? Sete reais! Por um adaptador vagabundo!

Resumindo, no final das contas, o produto que eu achava picaretagem foi o que me deixou mais satisfeito, e o produto que ninguém precisava – a não ser o dono da fábrica de adaptadores, que provavelmente é deputado e/ou participou do lobby para aprovar este “padrão” – foi o que mais me deu dor-de-cabeça. O que me leva a crer que George Foreman é um empreendedor de sucesso – ou no mínimo um ótimo garoto-propaganda – e que o governo brasileiro é o mais imbecil do mundo, pois concentra esforços em coisas desnecessárias como anti-padrões e acordos nucleares com países de reputação duvidosa.

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5 Respostas

  1. Eu dei um desses pro meu irmão (ele adora, eu nem uso) e tivemos a sorte de ser com o padrão antigo e compatível de tomada.

    É muito frustante comprar um produto novo e não poder usá-lo simplesmente porque ele não cabe na tomada. Tenho um monitor assim, que ficou três dias parados até eu achar um adaptador e perceber que teria que gastar mais do que eu gostaria nele.

    • Eu tive que ir em 3 supermercados diferentes para achar. Um estava fechado (São Paulo, a cidade que não dorme? pfff), outro não tinha e no último tinha esses daí, caríssimos.
      Quase desisti, já ia apelar para o China in Box 🙂

  2. “não tenho fogão nem saco para cozinhar”
    No fogão até sei cozinhar, mas no saco ainda não!

    E estes Grills são muito bons mesmo. Até tofu já passei neles! Depois você prepara um molho de missô com gergelim e óleo de gergelim, hmmm…

    Quanto à estes adaptadores, meu apê é novo, mas os equipamentos não, então bora comprar adaptador… São caros mesmo, mas acho que você foi roubado, Hugo!

    Fora que comprei um aspirador que, por conta da potência (1600W), tinha os pinos do plugue MAIS GROSSOS. Quer dizer, não cabia em NENHUMA TOMADA de casa. Creio que seja para, de algum jeito, garantir maior segurança. Claro que pluguei dois adaptadores nele para usar, e mandei a segurança pra casa do chapéu…

  3. este novo tipo de padrão para tomadas com certeza é oriundo do loby da Pial Legrand pois todas tomadas antigas da dita Pial serve perfeitamente na “nova” tomada o te (bemjamin) tambem serve na “nova” tomada sera? que teve loby…..

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