É Natal!

Pelo menos para o comércio, já é. Há um mês atrás já estavam vendendo panetones – por sinal cada vez mais caros – e agora os shoppings já começam a montar suas espalhafatosas decorações. Luzes e mais luzes piscando sem parar, gastando toda a energia que seria economizada com o horário de verão.

Que o Natal hoje em dia é uma data puramente comercial, não há mais dúvida. Só que a cada ano que passa, ele “começa” com mais antecedência, o que não deixa de ser coerente. Resolveram assumir de vez o aspecto puramente capitalista desta data e estão tentando lucrar o máximo possível. Pra que esperar até dezembro? Vamos tentar vender os estoques encalhados desde o dia dos pais, e quanto antes começarmos, melhor. Esperar o verão chegar para lançar a nova coleção? Com o clima do planeta cada vez mais maluco, nada garante que vai fazer calor na estação mais quente do ano. E aquela massa de panetone que não usamos no ano passado e mesmo fazendo milhões de colombas pascais, ainda assim sobrou? Não precisa jogar fora, pode guardar que até no máximo setembro começaremos a usar de novo.

Não vai demorar muito para termos um Natal comercial que dura o ano todo. Talvez a decoração não chegue a tanto – pode ser que o apagão definitivo ocorra antes – mas que teremos panetones nos 12 meses do ano eu não tenho dúvida. É apenas uma questão de tempo.

É uma pena que isso só ocorre com um dos lados do Natal. Já o outro lado – aquele do amor, paz, etc e tal – é meio que esquecido. Só aparece em 2 lugares: nas frases bonitas da publicidade, com o intuito de vender, e nos cartões de Natal, nem sempre sinceros. Ambos sempre dizem que o Natal é época de paz, amor, harmonia e compreensão entre as pessoas. Eu discordo.

TODO DIA deveria ser época de ser bom, educado, compreensivo e de tratar bem as pessoas. Será possível que nos tornamos tão hipócritas a ponto de só lembrar disso uma vez por ano, e mesmo assim raramente agir de acordo? Se todo mundo se lembrasse de tudo isso pelo menos uma vez por dia, o mundo seria um lugar menos insuportável de se viver.

Infelizmente o lado $$$$$ do natal é o único que tem grandes chances de ocupar os 12 meses do ano. Já o lado que realmente faria alguma diferença nas nossas vidas tende a desaparecer completamente.

Pois é, pelo jeito Papai-Noel literal e metaforicamente não existe mesmo.

Anúncios