Minhas pequenas paranoias

Antes de começar, ainda não me acostumei com a ideia de escrever paranoia sem acento. Mas este não é o assunto do post.

Acho que todos, em maior ou menor grau, têm algum tipo de paranoia, por menor que seja. Neste mundo moderno em que vivemos, com milhares de picaretas, estelionatários, bandidos e afins, a paranoia mais comum é a da violência urbana. Sempre que estou dirigindo e paro em um semáforo ou congestionamento, olho o tempo todo para os lados, para o retrovisor, para a frente, quase nunca fico tranquilo. Geralmente procuro não ficar muito colado ao carro à frente e tento verificar possíveis rotas de fuga. Se estou a pé, ando rápido e olhando para trás em intervalos regulares. Se estou no meio de uma multidão, checo os bolsos a toda hora. Também visualizo rotas de fuga, chegando ao cúmulo de analisar se o piso é escorregadio, se a rua é movimentada e outros fatores que possam me atrapalhar em minha “corrida para salvar a vida”. Qualquer pessoa que não conheço é suspeita, eu olho torto para todos, sempre esperando o pior.

Claro que nem sempre fui assim. Essa maluquice toda começou após meu primeiro assalto – evidentemente no papel de vítima – e foi aumentando com o tempo. Hoje contabilizo 4 assaltos, totalizando alguns poucos trocados (não costumo andar com muito dinheiro), uma blusa, um celular e um vidro do carro quebrado (a última vez que me distraí no trânsito). Uma vez quiseram levar meu tênis, mas quando o ladrão viu que o dele era melhor, desistiu. A cada assalto a paranoia aumentava. Depois do quarto, aumentou tanto que passei a ter as atitudes malucas do parágrafo anterior. Ainda não precisei utilizar as rotas de fuga, e nem sei se na hora conseguiria reagir desse modo, mas de qualquer forma não me distraio mais na rua.

Outra paranoia começou quando comecei a receber muita correspondência bizarra. A mais estranha foi uma carta do clube dos comerciários, dizendo que eu ganhei uma câmera digital em um sorteio realizado em postos de gasolina (cuma?) e que deveria retirar o prêmio pessoalmente no referido clube, além de pagar uma taxa de qualquer coisa. Ou seja, eu ganhei um prêmio de qualidade duvidosa (pois era uma marca desconhecida) em um sorteio do qual não participei, e teria que ir até a puta que pariu (que eu nem sei se existe mesmo) para pagar por algo que não entendi do que se trata. Na hora achei que era golpe. Mesmo que não seja, não é a melhor maneira de se promover um clube, é spam da pior qualidade.

E foi após este “sorteio” que começou minha paranoia mais estranha. Sempre que vou jogar fora alguma correspondência, eu sempre rasgo meu nome e endereço em vários pedaços, de forma que em nenhum deles seja possível identifcar algum dado completo. Depois eu jogo esses pedaços em vários lixos diferentes. Aqui em casa tem um na sala, outro na cozinha e um em cada banheiro, totalizando 4 sacolas de supermercados diferentes. Além disso, eu também jogo um pedacinho em cada privada. E eu nunca levo as sacolas para o “lixo geral” do prédio no mesmo dia, dificultando assim o trabalho de eventuais vasculhadores de lixo alheio.

Claro que isso não resolve tudo. Existem outros meios de se conseguir o endereço de alguém. O link ao lado está desatualizado (meu endereço não consta, ainda bem), mas para golpistas desocupados é um prato cheio. Ainda bem que me mudei há pouco tempo, e só atualizei meu endereço em meia dúzia de lugares essenciais. Por isso hoje só recebo contas e eventuais propagandas do banco. Mas acho que vai levar um bom tempo para eu ganhar outro “sorteio”.

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3 Respostas

  1. Caramba, Hugo!

    Eu acho que essa sua paranoia já não é mais tão pequena assim…

    No seu próximo aniversário te darei um picotador de papel e um incinerador portátil.

    Beijos,
    Sávio

  2. Opa! Se for aqueles de escritório que cortam o papel em várias tirinhas verticais, eu quero!

  3. Por enquanto tou jogando todos os papeis num cesto só. Será q pessoas de exatas tem mais paranoias?

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