Who’s dead?

O título é um trocadilho meio óbvio e infame, mas eu não podia deixar de falar na morte de Michael Jackson. Acho que o fato pegou todo mundo de surpresa. Tudo bem que a situação dele não era das melhores, mas eu achei que ele fosse durar mais uma ou duas décadas pelo menos.

Apesar de nos últimos anos ele não ter feito nada de musicalmente relevante (muito pelo contrário), eu já fui fã dele. Nos longínquos anos 80, quando ainda tínhamos discos de vinil. Era uma época em que achar discos de artistas internacionais era muito difícil, e quando achávamos, o dinheiro da mesada não era suficiente. Uma época em que o Fantástico ficava anunciando a cada 5 minutos que iria passar “o mais novo clipe de Michael Jackson, que custou trocentos milhões de dólares”, e o clipe só passava no finalzinho do programa. Sempre ficava aquela tensão: e se minha mãe mandar eu dormir antes de passar o clipe? Você não imagina como era angustiante.

Enfim, na minha infância e uma pequena parte da adolescência, a época da vida em que somos mais suscetíveis à cultura pop, eu vi o auge de Michael Jackson. Até hoje gosto das músicas daquela época. Aquilo tudo foi realmente uma revolução. Clipes de orçamentos milionários, com 20 minutos de duração e efeitos especias incrivelmente inovadores para a época. Um estilo único de se vestir e dançar, que assim como Elvis – e em menor escala Silvio Santos – gerou uma legião de imitadores.

Depois vieram os jogos de videogame. Na verdade era só um (MoonWalker), mas tinha versões para fliperama e Mega Drive (tinha alguma outra? não lembro). A melhor de todas era a do fliperama. Curiosamente Ironicamente Coincidência ou não, o objetivo do jogo era salvar criancinhas. Será que desde aquela época ele já tinha tendências papa-anjísticas?

Bom, o tempo passou, ele ficou branco – e anunciou isso com uma música que diz justamente que a cor não importa – e depois começou a decadência. Processos de pedofilia, bebê balançando na janela, construção de um parque temático particular – com o sugestivo nome de Terra do Nunca, onde as crianças não crescem e ele poderia tê-las jovens para sempre – e plásticas cada vez mais bizarras.

Mas tudo isso acabou. Agora é só esperar alguém fazer a paródia “Who’s dead?”. Será que ficaria tão boa quanto esta?

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Barbas pra que (não) te quero

Acho que todo moleque que se preza não vê a hora de ter barba. É um dos eventos auto-afirmativos mais consideráveis na vida de um garoto, ao lado da voz grossa, da primeira menina que pegamos e dos pêlos no saco, não necessariamente nesta ordem.

Muitos pegam o aparelho de barbear do pai e ficam treinando, ou simplesmente raspando a cara feito idiotas, achando que isso vai antecipar o nascimento da barba. O máximo que ganham são alguns cortes no rosto, o que não deixa de ser um aprendizado sobre o estorvo que está por vir.

Pois é, depois que a barba aparece e ficamos deslumbrados por alguns dias, logo percebemos que ela na verdade é um problema. A principal desvantagem é que geralmente as mulheres odeiam: incomoda na hora de beijar, elas acham que ficamos com cara de bandido ou que somos desleixados. A única exceção que conheço é quando elas olham fotos de atores e modelos, com aquela barba mal-feita que não sei porquê elas dizem que fica bonito. Será que o Photoshop também sabe fazer uma barba mal-feita parecer bonita?

Outra desvantagem é que ela cresce sem parar, e para tirá-la é um saco. Eu ainda tenho sorte, pois minha barba não cresce muito nas bochechas, ela se concentra mais no contorno do rosto e um pouco no bigode. Além disso, eu posso fazer apenas 2 vezes por semana que não fico parecendo um mendigo. Mas mesmo assim é um saco. Por mais cuidado que se tenha, sempre fica um cortezinho, ou sobra um maldito pêlo no canto do pescoço. Sem contar que eu não tenho muita paciência pra isso. Para completar, tive que comprar um espelho só para me barbear. Para pentear o cabelo, o vidro da janela já seria o suficiente.

Até comprei um barbeador elétrico, achando que seria a solução definitiva. Ledo engano. A merda do aparelho custa mais de 200 reais, mas o corte não fica rente! Por mais que eu fique passando aquela porcaria na cara, eu sempre tenho que fazer o arremate com uma gilete. Será que sou o único imbecil neste mundo que não sabe usar esta bosta? Hoje eu só continuo usando porque, bem, já que paguei, melhor usar. Pelo menos ele tira o “grosso” da barba e fico menos tempo passando a gilete. Mas se eu soubesse que era assim, não teria comprado.

Outra alternativa, que é mais cara, mas que por um tempo eu até cogitei em fazer, é a cirurgia. Por muito tempo eu achei que o negócio era definitivo mesmo, que o sujeito pagava os olhos da cara, mas nunca mais precisaria fazer a barba. Não tenho ideia dos valores atuais, mas há um tempo atrás eu fiz as contas e ficava mais barato que comprar giletes pelo resto da vida. O problema é que eu descobri que cirurgia não é definitiva, pois de tempos em tempos você tem que fazer outra sessão. Daí não compensa, a barba pode até demorar mais para crescer, mas vai continuar sendo um estorvo.

A barba é um dos resquícios dos nossos ancestrais que acredito não ter mais nenhuma função prática nas nossas vidas. Ela já devia ter desaparecido. Onde está Darwin numa hora dessas?

Viadagem pode não ser o que você pensa

Não sei se você sabe, mas existe uma diferença entre vEado e vIado.

O veado é aquele bicho – atenção, eu disse bichO, ou seja, animal – saltitante, delicado e chifrudo – ainda estou falando do animal – imortalizado em um desenho da Disney (no referido desenho, apenas o veado é imortalizado; o mesmo não se pode dizer da mãe dele).

Já o viado é aquele sujeito esquisitão que tem na sua empresa/faculdade/vizinhança, que todo mundo sabe (por “sabe” entenda-se “desconfia”) que joga no outro time. É aquele cabeleireiro que sua mulher adora, é aquele sujeito metido a machão que à noite sai por aí dando uma de Ronaldo. Sim, na minha opinião, o sujeito que sai com traveco, no fundo – e nos fundos – é viado.

Enfim, viado é aquela minoria que você vê em toda parte.

Apesar desta diferença sutil na grafia, eu sempre achei que a palavra “viado” era apenas gíria, e que não existia oficialmente no nosso idioma. Mas eis que para minha surpresa, ela não só existe como tem um significado completamente inesperado:

viado
vi.a.do
sm Antigo pano listrado.

Não acredita? Tá no Michaelis. Como achei isso tudo meio estranho, resolvi pesquisar em outros dicionários e encontrei o mesmo resultado. Das duas uma: ou os dicionários online aderiram a uma das regras fundamentais piores práticas da internet (a cópia descarada de conteúdo) ou nós, pra variar, estamos usando mais um termo incorretamente.

Pensei em incluir algum comentário manjado dizendo que isso tudo é uma grande viadagem, mas achei que seria mais interessante divagar sobre o significado da palavra que até ontem eu achava que sabia.

Fico imaginando que raios de pano listrado é esse. Será que ele tinha 7 listras coloridas e servia para guardar moedas (ou qualquer outro objeto que possa ser colocado em um cofrinho) de ouro? Em que época a palavra “viado” foi usada para designar este maldito pano? Aliás, ela algum dia foi usada para designar alguma outra coisa que não fosse um… viado? Será que o pano virou moda entre as bibas e passou a ser sinônimo? Quem veio antes, o pano ou o homossexual?

Não que isso faça diferença na vida de alguém, mas essa língua portuguesa vive nos surpreendendo.

Sou um cachorro

Sempre morei um casas ou apartamentos de piso escuro. Ou eram aqueles tacos de madeira retangulares, ou era um ajulezo escuro, meio <coloque aqui um daqueles nomes de cor bizarros>. Talvez por isso nunca tenha percebido algo que só fui me dar conta agora.

Recentemente me mudei para um apartamento de piso claro. Não sei a cor direito, só sei que é muito claro, qualquer fio de cabelo no chão é percebido de longe. E foi aí que comecei a perceber que eu solto muito pêlo.

Todos os dias surgem mais e mais pêlos pela casa. Na sala, no quarto, no banheiro. São fios de cabelo, pentelhos (só no banheiro, tá pensando o quê?), pêlos da perna e do braço. A quantidade que se acumula em uma semana é inacreditável. Como é que eu nunca percebi isso antes? (eu sei que já respondi, foi por causa dos malditos pisos escuros)

Nunca mais reclamo de cachorro nenhum.

Hipócrita ou ingênuo?

Outro dia escrevi sobre pirataria. Disse que estava maravilhado pelo fato de, depois de muito tempo, ter comprado um CD original por um preço justo (não aquele absurdo que costumam cobrar). Fiquei tão empolgado que comecei a escrever sobre as vantagens de se comprar original, que CD e DVD pirata não vale a pena, etc e tal.

Hoje esta opinião está um pouco, digamos, abalada, ela não está mais tão radical. No caso de DVD’s, continuo achando que não vale a pena. Os filmes piratas são toscos, muitos são filmados no cinema com vultos passando na frente da tela, som horrível misturado com as conversas, enfim, uma merda total. Claro que os DVD’s ainda não estão com um preço que eu considero justo (40 reais por uma caixinha vagabunda, sem encarte nem porra nenhuma? Por favor…), mas não estão tão fora da realidade, e eu acabo comprando. Tem CD que custa mais que isso, e nem é tão bom assim. Sem contar que downloads são demorados e nem sempre vem o que você quer.

No caso dos CD’s, é meio discutível. O álbum que eu menciono no link acima custou menos de 20 reais. E eu comprei no ano passado. E era lançamento. Tudo bem, foi uma promoção, mas hoje não está tão mais caro assim. O preço era justo e realista. Agora se esse mesmo CD custasse o que costuma custar um lançamento, provavelmente eu não compraria. Ou faria o download, ou pediria para alguém que já fez o download, ou desencanaria. Enquanto a Amazon, Apple ou qualquer outra empresa não decidir vender mp3 no Brasil, são as únicas opções que temos. Sim, eu pagaria 2 reais por uma música, melhor que pagar 40 reais num CD e descobrir que só 3 músicas prestam.

Mas o que abalou mesmo as minhas opiniões foram os jogos de video-game. Eu já havia comprado God of War 2 original, veio cheio de extras, entrevistas, enfim, valeu a pena o investimento. Mas daí eu resolvi jogar Guitar Hero. Esse jogo está muito, mas muito longe de ter preços realistas. Importar pode ser uma opção, mas a Amazon não entrega no Brasil (entrega até pra Arábia Saudita, mas pro Brasil, neca). Já tentei comprar em outros sites, mas o frete sai tão caro que acaba saindo quase o mesmo preço. Comprar original? PQP, se eu cagasse dinheiro, quem sabe.

Pois é, a questão do preço, que muitos usam como desculpa para piratear sem dó, no meu caso conseguiu abalar minha outrora forte convicção de que nunca mais compraria nada pirata. Mas não resisti, comprei um jogo de video-game de “déiz reáu”, depois de muito relutar. Também comprei a guitarra “genérica”. Não sei se fui hipócrita por comprar o jogo alguns meses depois de afirmar que não o faria, ou se fui ingênuo ao achar que, só porque comprei um CD original de 19 reais, nunca mais sucumbiria às tentações da pirataria.

Acho que no fundo, fui um pouco dos dois, pendendo mais para a hipocrisia. Podem jogar as pedras.