Não aceite imitações

Recentemente fiz algo que não fazia há muito tempo. Algo que estava meio fora de moda, que muitos até se esqueceram como faz, dizendo inclusive que era uma prática fadada à extinção. Era algo que achei que jamais faria novamente, mas que acabei fazendo.

Comprei um CD original.

Espantado? Pois é, eu também. Lembro muito bem de alguns anos atrás, quando um simples CD com 12 músicas não saía por menos de 40 reais. Foi mais ou menos nessa época que eu parei de ir nas lojas, pois o preço já havia ultrapassado o limite que eu considerava justo e razoável. Não tinha mais porque entrar em uma loja de CD, já que eu sabia que iria ficar revoltado e não compraria nada. Depois disso, foram anos e anos de downloads, uma grande farra de mp3. Napster, Morpheus, Audio Galaxy, Bit Torrent, foi uma época farta.

Mas eis que num belo dia, navegando pela internet – justo ela que me afastou das lojas – vejo em um site um CD por R$19,90! E não era um daqueles que estavam encalhados no estoque, era um lançamento!! A última vez que comprei um lançamento por esse preço foi em… nem lembro mais. Como era um que eu queria muito, não tive dúvidas e na mesma hora comprei. O melhor de tudo, além de ter 15 músicas inéditas e em sua maioria muito boas, o CD não veio em uma daquelas caixinhas de plástico/vidro vagabundas. Pelo contrário, é toda feita daquele material que não sei o nome – vamos chamar de “papelão bem trabalhado” – em alto relevo e veio com um encarte cheio de fotos. A nostalgia só não foi completa porque não tem as letras das músicas no encarte.

Enfim, um típico CD que em outra época custaria os olhos da cara saiu por um preço justo e realista. Ouço muita gente dizendo que o preço alto é a principal causa – senão a única – da pirataria, e que se este baixasse, passariam a comprar o original. Pois bem, um lançamento pelo mesmo preço de 10 anos atrás é o suficiente para vocês? Para mim foi. Se todos os lançamentos daqui em diante saírem por essa faixa de preço e com essa qualidade, com certeza vou comprar o original.

Aliás, ultimamente tenho mudado meus conceitos. Comecei a comprar mais originais – jogos e DVDs principalmente – do que piratas. Já fui um grande consumidor de pirataria, como 99% da população – os outros 1% são mentirosos – mas pelo jeito as campanhas de conscientização anti-piratas estão surtindo efeito. Tenho mais de 30 DVDs originais, e neste pequeno acervo, daqui em diante, só entrarão originais. Idem para jogos e CDs. Se for para dar dinheiro para alguém, que seja para quem fez o jogo/filme/música. Os bandidos que lucram com a pirataria que se fodam, que morram de fome.

Claro que nem tudo é perfeito, e nem quero posar de santo. Ainda me resta um dilema. Os filmes do Tony Jaa (que muitos dizem ser o novo Bruce Lee, etc e tal) só passam na Ásia. Aqui no ocidente ninguém sabe – comercialmente falando – que ele existe. E não quero esperar 10 anos até ele chegar por aqui, então baixei alguns filmes dele. Claro que se algum dia ele ficar famoso por aqui, vou comprar os DVDs. Mas enquanto isso não acontece, só me resta o Bit Torrent.

E para quem ficou curioso, o CD é este aqui.

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6 Respostas

  1. Outro dia, sem nada de bom para fazer, comecei a escrever uma lista dos crimes que costumo cometer. A lista era basicamente de pirataria.

    Eu entendo que a pirataria é algo ruim, mas em parte eu sou favorável a ela. Principalmente se os produtores perceberem que distribuir gratuitamente ou a um custo mínimo, pode ser lucrativo indiretamente.

    O último produto original que comprei foi o jogo Spore. Aí descobri que, mesmo tendo o original, você só pode instalar três vezes o jogo. Depois disso tem que ligar pedindo outro número de série.

    Sinto muito, mas quando o pirata fica melhor que o original, tem algo muito errado nesse mercado. Talvez a máfia dos piratas seja apenas uma força contrária à máfia das indústrias.

    Mas como você disse, acho louvável adquirir o original sempre que possível e viável. Espero que seja cada vez mais viável, como foi o caso desse CD, e possível, como os filmes que não chegam ao Brasil…

  2. bacana!!
    o último que comprei foi este: http://www.domo.com/yoshidabrothers/index.html

    O engraçado foi que depois de ripá-lo, guardei o CD. E nem lembro onde.

  3. @Savio, pois é. Mas as coisas estão mudando

  4. Então, na verdade esse post e o comentário do Sávio possuem um sentido um pouco mais profundo. Eu os colocarei da seguinte forma:
    -Se julgamos que piratear é errado então não deveriamos piratear independentemente do custo. Ou seja, o fato do CD custar 40 ou 20 reais não deveria influenciar em nossa decisão de piratear ou não. O fato do CD ser caro não justifica a utilização de meios ilícitos para pressionar a indústria. Seria algo como a síndrome do Hobin Rood. 🙂
    -Quanto à colocação do Sávio a indústria de software é um tanto particular. Ela demanda grandes custos de desenvolvimento porém o fato dele ser um bem intangível, diferentemente da indústria tradicional, faz com que pareça que o bem seja apenas um CD. Não podemos esquecer que para “gerá”-lo foram necessárias centenas de milhares de horas dos programadores. Além disso, é preciso pensar melhor no conceito “pirata melhor que o original”. Eu acho sim que o pirata pode ser igual ao original, indistinguível e além de tudo mais barato.

    Bom, não minto, eu me rendo as seduções da pirataria. Mas acho que a grande campanha para diminui-la surte efeito principalmente devido a diminuição da impunidade para este crime e não do fato das pessoas ficarem mais conscientes.

  5. Acho que valor pode influenciar sim. Se as multas custassem um real, o trânsito seria um caos. Se um CD custasse um real, a pirataria diminuiria muito mais. Não acabaria por completo pois tem outros fatores (mentalidade, por exemplo, pois tem gente que mesmo assim compraria os piratas por 50 centavos)
    Quanto ao pirata ser melhor, no caso do Spore acho que acaba sendo. Se eu já comprei o jogo (paguei por ele o valor que me ofereceram) porque só posso instalar 3 vezes? É uma coisa muito imbecil, é um tiro no pé, é considerar todo consumidor um potencial pirata e não o contrário.

  6. […] Não aceite imitações […]

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