Ah, os tempos da faculdade…

Rodoviária de Bauru. Eu dentro do ônibus, meus pais na plataforma. Destino: São Paulo Desconhecido.

Sim, sair de casa é uma jornada rumo ao desconhecido. Eu, com 17 anos – idade em que achamos que sabemos muito mais que nossos pais – olhando pela janela do ônibus, acenos de despedida. No discman (iPods naquela época nem pensar) uma música qualquer dos Engenheiros do Havaí. Na época eu gostava, e daí?

Apesar de ser di menor, naquele ano eu faria 18. Começaria, de uma só vez, a maioridade e a vida universitária fora de casa (nada me convence que ser universitário morando com os pais é tão divertido quanto). Dividir quarto, fazer as próprias compras, viver com o dinheiro milimetricamente contado, filar bóia na casa da tia,  cozinhar algo  que não seja miojo ou congelado, lavar e passar, visitar os pais uma vez por mês levando na mala as roupas sujas que não teve saco tempo de lavar. Essa é a parte boa. Faltam as partes ótima e sensacional.

A parte ótima é ter 17 anos e se sentir livre. Sair e voltar a hora que quiser, sem dar satisfação para ninguém. Tem coisa melhor, principalmente nessa idade? A sensação de ser dono do próprio nariz e único responsável por seus atos faz um bem danado à auto-estima e auto-afirmação, tão presentes e necessários nesta fase. Alguns dirão que essa falta de limites pode ter consequências desastrosas, mas é nessa hora que toda a educação dada pelos pais é posta à prova. No meu caso, pode-se dizer que os meus se saíram bem.

E a parte sensacional é algo que, como todas as coisas realmente boas da vida, só se percebe com o tempo. O incrível crescimento pessoal, a mudança que nos transforma de moleques para adultos. Nesses anos todos morei com tantas pessoas – uma das repúblicas tinha 10 pessoas – que aprendi a conviver e a lidar melhor – ou pelo menos tentar – com diversos tipos de pessoas e situações. Acho que jamais teria vivenciado tudo isso se não tivesse saído de casa para – olha o clichê – “tentar a sorte na cidade grande”. Eu também tinha passado no vestibular em Bauru. Se eu ficasse, meu pai disse que eu ganharia um carro. Resolvi sair e ganhei muito mais. (Dava até pra fazer um comercial da Mastercard, não?)

Ah é, tem a parte ruim também, que pode ser ilustrada com um episódio ocorrido em uma das repúblicas que morei: sexta à noite, uns 8 caras na sala jogando baralho e bebendo uma cerveja vagabunda qualquer, acho que era Krill  (calma, essa ainda não é a parte ruim). Um dos indivíduos comenta, com um certo tom de culpa na voz:

– Pô, nossos pais achando que a gente tá estudando, e nós aqui, jogando baralho.

O outro retruca, com um ar de tristeza e frustração:

– Que nada, nossos pais acham que a gente tá fazendo sexo, e a gente aqui, jogando baralho!

Resumindo, a vida sexual universitária, apesar de ser muito melhor do que no colégio, não é aquela putaria que você vê nos filmes! Com exceção, é claro, das festas da GV.

Questão sexual para homens

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