Onde está WALL-E?

WALL-E é foda. Ponto.

Fazia muito tempo que eu não ficava maluco com um filme. De uns tempos pra cá eu simplesmente gostava dos filmes, mais de uns, menos de outros, mas nenhum me deixava realmente empolgado. Nenhum tinha o mesmo efeito que tiveram, por exemplo, Indiana Jones (todos os três), De Volta Para o Futuro (os três que na verdade são um só) e o trio-brucutu (Stallone, Schwarzenegger e Bruce Willis). Talvez porque eu era adolescente na época, e ainda não tinha adquirido o discernimento e o cinismo típicos dos adultos. Ou então fiquei exigente – ou seria chato? – demais.

Nesse longo intervalo de nenhum-filme-me-empolga, talvez apenas Matrix tenha surtido algum efeito. Só que o terceiro filme jogou tudo para o ralo, dando aquela sensação de que nunca mais eu seria “fisgado” por um filme.

Calma, não quero dizer que odiei todos os filmes dos últimos 20 anos. Gostei de vários, tanto que não caberiam neste espaço. Muitos foram fantásticos (Clube da Luta, Tropa de Elite, O Guia do Mochileiro das Galáxias,  e por aí vai). Mas nenhum deles me deixou ao mesmo tempo maluco, viciado, maravilhado, admirado, hipnotizado, pensativo, emocionado, entorpecido.

Até hoje.

Confesso que quando vi os primeiros trailers e cartazes de WALL-E, não fiquei muito emplogado. Achei que seria apenas mais uma animação com aquela historinha de sempre: protagonista puro e ingênuo ou irresponsável mas de bom coração, par romântico que vive brigando e/ou dando broncas no protagonista mas não troca ele por nada, situações de humor,  romance, perigo, crescimento e superação (necessariamente nesta ordem, ou não), aquelas “sacadas” típicas (mostrar similaridades entre situações cotidianas e elementos inusitados, como um lava-rápido para baleias, um algodão-doce de moscas e teia de aranha ou uma maçã montanha-russa com um carrinho-minhoca) e só.

Felizmente me enganei. WALL-E é foda. Muito foda.

Bom, todo mundo já deve saber da história, das críticas, das referências e tudo mais, então não vou perder tempo escrevendo tudo de novo. Vou contar como me senti.

WALL-E é um filme que me fez pensar o tempo todo. Seja para tentar adivinhar o que estava acontecendo  (O que tanto esse robozinho branco procura? O que aconteceu com a Terra?), seja para refletir sobre tudo aquilo (E se um dia ficarmos iguais aos humanos do filme? E se a Terra ficar igual?). Você pode até achar que essa temática ecológica é batida, e infelizmente é. Mas o que importa é o modo como ela foi abordada. Existem mil maneiras de falar sobre preservação ambiental. Muitas são chatas. Outras são inteligentes. E raríssimas são como WALL-E, geniais.

Não foi só a mensagem ecológica que me prendeu, o filme todo é feito de uma maneira que me fez ficar concentrado na tela, sem piscar, sem olhar pro lado, sem lembrar que existia um mundo à minha volta. A sala do lado podia explodir, o teto cair e o chão pegar fogo e nem assim eu conseguiria desgrudar os olhos do filme. O modo como a história é contada – sem precisar de muitos diálogos – assim como a própria história em si, todas as mensagens e situações,  tudo aquilo me fez mergulhar em pensamentos e reflexões, sensações de alegria e  angústia, tristeza e alívio, raiva e ternura, preocupações de adulto e olhos brilhantes de criança, tudo de uma vez, em uma única seção de cinema. Mais que um filme, uma verdadeira experiência, uma lavada na alma e no final a sensação de leveza e um leve e discreto sorriso de satisfação.

WALL-E é o filme que eu sempre quis saber onde estava. E finalmente encontrei.

Só tenho a agradecer.

O meu é melhor que o seu

Qual é o melhor? Fifa Soccer ou Winning Eleven? Internet Explorer, Opera ou Firefox? Windows, Mac ou Linux? Pagode ou Rock? Iphone ou N96? Java ou .NET? Ken ou Ryu? Sandy ou Júnior?

Com exceção da última pergunta, cuja resposta é fácil (com música: nenhum dos dois; sem música: Sandy), as demais sempre acabam gerando brigas nos diversos fóruns da Internet. E os tópicos costumam seguir mais ou menos a mesma linha:

  • Pessoas que gostam de X começam a discutir sobre X, falam do quanto adoram o X, de como é bom, legal e mudou suas vidas, etc etc
  • De repente aparece alguém que gosta de Y (o concorrente de X) e começa a falar mal de X
  • Algum fã de X rebate, o fã de Y re-rebate e em algum momento um dos 2 parte para ofensas pessoais (“Só idiotas gostam de X”, “Vc é burro demais pra perceber que o Y é uma droga”, “Morram todos os X”, “Y fede” e por aí vai)
  • Daí pra frente, as pessoas esquecem o assunto original (X versus Y) e se limitam a responder as ofensas recebidas com outras piores ainda
  • Quando o fórum é bem administrado, o tópico é trancado.

Por que isso acontece? Em parte, acredito que seja porque por trás de um monitor e sem a presença física dos outros, a pessoa se sente mais encorajada a dizer coisas que não diria pessoalmente. Como a regra vale para as 2 partes, um sempre vai querer responder as ofensas com mais ofensas, que serão sucessivamente respondidas ad eternum. Esse tipo de discussão interminável tem até nome: flame war. A solução? Simples, sempre que alguém desviar o assunto original e começar com ofensas e coisas sem sentido, ignore. Em um fórum é até mais fácil, pois se fosse pessoalmente você poderia se passar por mal-educado.

E se você quer criticar algo, existem maneiras inteligentes de fazê-lo. Seja educado e bem humorado. Releia o que você escreveu, pois um email/tópico/scrap vai ser lido por diferentes pessoas que interpretam as coisas de modos diversos, e alguém sempre pode entender errado e se ofender. Se você não conhece pessoalmente os envolvidos, redobre os cuidados.

Ajude a fazer da internet um lugar mais civilizado. (Se este blog fosse mais famoso eu até iniciaria uma campanha)