O Caos sempre existiu

Nunca fui muito fã de aeroportos. Quando pequeno só fui no aeroporto de Bauru para ver a Esquadrilha da Fumaça (desses sim eu era fã). Mas eu não era aficcionado por aviões, nem queria ser piloto. E acredito ser exceção, pois pelas minhas estatísticas pessoais e portanto não confiáveis (mais conhecidas como “achômetro”), quase toda criança já quis ser piloto de avião. Não que eu odiasse aeronaves. Tive um jatinho de brinquedo (devia ser do Comandos em Ação, febre da época), e gostava de brincar com ele. Joguei muito Super Trunfo, inclusive o de aviões. Mas o fato dessas brincadeiras envolverem aviões não tinha nada de especial. Era apenas mais um brinquedo, nem melhor, nem pior.

Apesar disso, na primeira vez que fui para o aeroporto de Guarulhos, não resisti à vontade de ir ver os aviões pousando e decolando. Lá tinha – faz tempo que não vejo, mas ainda deve ter – uma parede de vidro pela qual podíamos ver a pista, e dava para ter uma visão perfeita dos aviões subindo e descendo. Após o pouso, o avião se aproximava de nós lentamente e ia ficando cada vez maior. Muito legal. Meu primeiro vôo não foi nesse dia, tinha ido apenas buscar um parente que voltava do Japão. Nesse dia percebi que era uma ótima distração ver os aviões indo e vindo do aeroporto: “Olha, um da JAL! Será que é esse?”

Alguns anos depois (entre 2002 e 2003, não me lembro direito), fiz minha primeira viagem aérea. Pena que não foi um passeio. Embarquei na ponte-aérea, o ridículo-de-tão-rápido trajeto de 40 minutos – de vôo, porque na verdade demora bem mais – entre São Paulo e Rio. Apesar da experiência de voar pela primeira vez – que nem é tão fascinante assim, como algumas pessoas costumam dizer – o que me marcou mesmo foi a desorganização. Achei incrível que nenhum vôo conseguia sair no horário. Pior, muitos atrasavam horas. Até a presente data eu só tinha viajado de ônibus, e na rodoviária os atrasos eram raros. E quando ocorriam, nunca duravam mais do que 30 minutos. Pensei que aviões, por serem mais caros, avançados e modernos, fossem mais pontuais. Quanta ingenuidade.

Foi a partir daí que eu passei a detestar aeroportos. Nunca – nunca mesmo – consegui embarcar no horário, mesmo chegando duas horas antes para fazer o maldito check-in (um procedimento burocrático ridículo para o qual já deveriam ter pensado em uma alternativa menos trabalhosa) e esperando o horário do vôo, apenas para ser informado que o mesmo vai atrasar em algumas horas. E olha que todos os meus vôos foram antes do acidente da Gol, quando ainda não existia todo esse caos aéreo.

Pois quer saber? Eu acho que existia sim. Podia ser em uma escala bem menor que a atual, e sem uma cobertura maciça da mídia, mas de certa forma existia. Desde sempre – pelo menos, desde que voei pela primeira vez – os vôos atrasam, alguns de forma absurda. Já fiquei horas perambulando pelo aeroporto esperando um vôo sem previsão de saída. Não aguentava mais ficar de pé – não tinha mais lugar para sentar, dada a quantidade de gente esperando por seus vôos, também atrasados – nem ficar andando pelo aeroporto. Já havia lido todas as revistas que tinha e não estava disposto a comprar mais – se eu tivesse feito isso, ficaria sem dinheiro, dada a demora daquele maldito vôo. E isso foi bem antes dessa confusão toda de Anac, fechamento do aeroporto, etc etc etc. Hoje deve estar pior.

Ainda bem que não viajo de avião com frequência. Pode ser o meio estatisticamente mais seguro, mais rápido e mais moderno, mas para mim também é o mais estressante, mais trabalhoso (na rodoviária não tem check-in, você simplesmente chega e sobe no ônibus) e mais desorganizado (overbook deveria ser proibido, e o valor da passagem ressarcido de forma proporcional ao atraso, algo como 50% do valor por hora de atraso).

E minha bagagem nunca extraviou na rodoviária.

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