Reciclagem: me ajude a te ajudar

Hoje vi uma cena curiosa. Estava em um lugar que faz coleta seletiva de lixo. Ou seja, tem aquelas latas coloridas, uma para papel, outra para plástico, etc. Política e ecologicamente correto, se não fosse por um detalhe: a faxineira passou recolhendo o lixo e juntou tudo em um único saco preto gigante. Fiquei olhando e pensando: pra que separar se depois vai juntar tudo?

Quer dizer então que a coleta seletiva é só para inglês ver, para mostrar aos outros que você é consciente e se preocupa com o planeta? Mas no fundo varre tudo para baixo do tapete, não separa nada e se bobear nem encaminha o lixo para a reciclagem.

Aliás, reciclagem é um assunto tão falado mas muito pouco entendido. Para onde vai todo aquele lixo que separamos? Nos nossos prédios, nas empresas, nos shoppings, nunca parei para pensar se tudo aquilo realmente é reciclado ou se no final eles juntam tudo e não reciclam nada. A gente separa cada coisa em sua lata e esquece, achando que a partir daí tudo é encaminhado para os devidos lugares. Mas na verdade, não temos como saber se todo mundo que diz fazer coleta seletiva realmente o faz. Não há fiscalização, cobrança nem nada. Sustentabilidade é a palavra da moda, toda empresa quer ser verde, reciclar é bonito, mas parece que tem gente optando pelo caminho mais fácil: a consciência ecológica de fachada.

Mas vamos ser otimistas e acreditar que a maioria realmente encaminha o lixo para reciclagem. Ainda sim temos um problema: a desinformação. O que é reciclável e o que não é? O que pode e o que não pode ser jogado em cada lata? Guardanapo usado, por exemplo. Muitos diriam que “é óbvio que é papel”, mas já me falaram que se estiver sujo com gordura, não dá para reciclar, e vira lixo comum. E palito de sorvete? Sachê de ketchup? Embalagem de toddynho? Eu nunca sei, já procurei saber e as informações são desencontradas, ninguém sabe ao certo o quê deve ir aonde. Só latas de refrigerante que eu não tenho dúvida. Pelos menos até inventarem latas de algum outro material.

O fato é que, por mais que queiramos ajudar, fica essa sensação de que estamos apenas fingindo preocupação e brincando de reciclar. Mas como tudo no Brasil, é feito nas coxas (o maldito jeitinho), ao invés de conscientização temos dúvidas e desinformação. Eu tento fazer a minha parte, separando o lixo e tentando jogar cada coisa em sua respectiva lata, mas cada praça de alimentação tem um esquema diferente e nunca sei se joguei o lixo nos lugares corretos. Se quisermos realmente uma reciclagem efetiva, precisamos saber exatamente como proceder com cada coisa que jogamos, pois só boas intenções não vão salvar o planeta.

Como diria um personagem famoso em um contexto completamente diferente, você tem que me ajudar a te ajudar.

Nunca seremos

Assistir Tropa de Elite 2 me deixou deprimido.

Não porque achei o filme ruim. Muito pelo contrário, ele é muito bom, pau a pau com o primeiro. Talvez seja até melhor, pois ao se aprofundar ainda mais nas entranhas do “sistema”, me mostrou uma realidade maldita que no fundo eu já sabia que existia, mas nunca tinha visto de maneira tão escancarada. E foi justamente isso que me deprimiu.

Não pense que sou ingênuo. Nós sempre soubemos que há corrupção em todas as esferas do poder, que aos que mandam não interessa educar as pessoas, dar moradia decente, equipar a polícia, zelar pelo bem do povo, nada disso. No fundo sabemos que tanto faz o partido que ganha as eleições, vai continuar sempre a mesma coisa. Talvez os meios mudem, mas o fim será sempre o mesmo: manter-se lá em cima, não importa como. Sempre soubemos disso. O que o filme faz é mostrar em detalhes como isso tudo se desenrola, como sempre haverá gente disposta a se aproveitar do sistema até as últimas consequências e como estamos vulneráveis a este inevitável cenário. E ao nos mostrar tudo isso acaba com qualquer esperança que alguém por acaso ainda possa ter. Não, o país não vai melhorar, não adianta correr, não adianta reclamar, não adianta desabafar no seu blog. Não há solução.

Quebrou-se o tráfico, surgiram as milícias. Mata-se uma mosca, surge outra. O problema não são as moscas, e sim a merda. Enquanto ninguém limpá-la, vão surgir mais moscas. Não adianta aumentar a dose de inseticida, tem que botar uma rolha no cú de quem caga esta merda toda em cima de nós. Só que estes cús estão lá longe, intocáveis, em seus gabinetes cheios de parentes-assessores, usando e abusando do nosso dinheiro, protegidos pela burocracia e corrupção. E eles cagam em cima de nós, incessantemente, sem parar.

Escolas que não ensinam, hospitais que não curam, justiça que não pune, segurança que não protege, infraestrutura que não suporta, nada funciona e tudo tem um motivo para ser assim. Não há interesse em mudar, e os poucos que querem reverter este quadro estão sozinhos e não conseguem ir muito longe (alguns são desmoralizados, outros levam tiro pelas costas). Quantas vezes você não ouviu aquela história de que existem políticos honestos, mas são tão poucos e sua influência é tão pequena que nada podem fazer? Agora tivemos a triste confirmação. A merda que jogam em cima de nós é muito maior do que as pás que temos para limpá-la.

A conclusão do narrador, triste e real – ou triste porque real – tendo como fundo um vôo sobre Brasília, é a lápide de pedra posta sobre nós, é o golpe de misericórdia que encerra a sequência de socos no estômago que o filme nos dá, é a constatação final, cruel e inevitável de que no fim vai dar tudo errado, o que só faz aumentar a nossa melancolia, nossa miséria, nossa impotência, nossa eterna sina de sermos sempre o país do futuro, mas de um futuro que nunca chega, que nunca chegará.

A depressão que tomou conta de mim logo após os créditos surgiu não porque eu já sabia de tudo isso, mas sim porque esta visão foi ampliada, jogada na minha cara sem dó, em uma dimensão maior do que eu poderia supor. Assim como o protagonista, eu não fazia ideia do tamanho do problema. Já tinha lido matérias sobre as milícias, mas nunca nesse nível de detalhe. A corrupção rola solta, a população é usada como massa de manobra, vale até matar qualquer um para garantir mais votos. Eu sempre “soube” dessas coisas, mas meu descontentamento – e consequente distanciamento – com relação à política nunca me fez pensar a fundo nisso tudo. É muito, mas muito pior do que eu imaginava, e olha que eu já era bem pessimista com relação ao Brasil. E se pensarmos que o filme amenizou vários fatos e situações, saber que a realidade é bem pior me deixa ainda mais deprimido.

Talvez a única coisa que nos resta é fazer o que o próprio Nascimento disse: ao invés de se entregar à depressão, se tornou ainda mais forte e determinado. Não que isso vá mudar muita coisa, mas ao menos impedirá alguns suicídios. Afinal, como o próprio filme conclui, vai continuar morrendo muita gente inocente, e os verdadeiros responsáveis vão continuar não dando a mínima.

Brasil, país decente, sério e desenvolvido? Como diria o Bope: “Nunca serão!”

Duelo dos Aeroportos (ou O Prenúncio do Caos)

Este ano fui para a Inglaterra 2 vezes (calma, foi a trabalho; não estou com essa bola toda) e foi interessante – para não dizer desanimador – ver as diferenças entre os aeroportos daqui e de lá. Sei que é covardia, mas vamos fazer uma comparação entre Cumbica (Guarulhos) e Heathrow (Londres).

As viagens que fiz foram em março e setembro, mas não era feriado em nenhum dos 2 países, nenhuma data especial que justificasse algum fluxo anormal, muito menos temporada de férias nem nada do tipo. Claro que apenas 2 viagens não constituem uma amostragem estatisticamente relevante, mas a menos que eu tenha sido muito azarado, o que eu presenciei não deve estar muito fora da realidade, acredito que deva estar “na média”. Os fatos relatados não estão necessariamente em ordem cronológica, já que misturei situações das 2 viagens, mas a ideia aqui é comparar os aeroportos e não relatar sequencialmente os fatos.

Chega de enrolação e vamos ao que interessa.

Embarque

Em Guarulhos tive 2 experiências: uma péssima e outra nem tanto. Na primeira vez, peguei uma fila de quase 1 hora e meia para fazer o check-in. Na segunda, tive mais sorte e demorei apenas 30 minutos.

Já em Londres, demorei 5 minutos na primeira vez (nem dá pra chamar aquilo de fila) e 30 minutos na segunda. Não sei se dei uma puta sorte na primeira vez, mas de qualquer forma também dei sorte em Guarulhos na segunda vez, já que logo depois que eu despachei minha mala a fila tinha dobrado de tamanho. Acho que no fim não foi sorte, eu é que cheguei cedo mesmo.

Decolagem

Em Guarulhos tive atrasos de 2 horas na primeira vez e 1 hora na segunda, em Londres tive apenas atraso de meia hora na segunda vez. Na primeira viagem, acredite, o vôo saiu no horário! Foi a primeira vez na vida que eu vi um avião sair no horário, incrível não ter chovido.

Falando nisso, em nenhuma das vezes estava chovendo, nevando ou tendo qualquer outro fenômeno natural que justificasse o atraso. Deve ter sido incompetência mesmo.

Desembarque

Na primeira viagem, a fila da imigração em Londres foi rápida, uns 20 minutos. Na volta, em Guarulhos, demorou mais de 1 hora. Já na segunda vez, foi o contrário: em Londres fiquei mais de 1 hora, em Guarulhos fiquei uns 20 minutos. Vai entender.

Em compensação, pegar as malas em Londres é um processo absurdamente mais simples e menos penoso do que em Guarulhos. Em Londres as malas chegam na esteira muito antes de você (em Guarulhos é o contrário). Além disso as esteiras de Heathrow são grandes, comportando várias pessoas de uma vez, e o saguão é bem espaçoso, permitindo que todos consigam transitar com suas malas gigantes sem esbarrar em ninguém. E os carrinhos estão todos em perfeito estado, ao contrário de Guarulhos, onde tive que verificar 3 carrinhos até achar um decente (um tinha a roda torta, outro não virava, etc).

Já a esteira de Guarulhos é ridícula, na primeira vez ficamos 40 minutos que nem idiotas olhando para a esteira, esperando as malas começarem a ser descarregadas! É isso mesmo, chegamos todos na esteira (depois de 1 hora na fila da imigração), e depois de 40 minutos é anunciado que as nossas malas começaram a ser descarregadas! Isso porque eu olhei em volta e no painel, e vi que só tinha o nosso vôo!!! Simplesmente ridículo, será que eles levam as malas uma a uma?

Na segunda vez foi ainda pior. Tinha mais uns 5 vôos chegando na mesma hora e foi aí que eu vi uma cena epicamente patética: um congestionamento de carrinhos de mala! Isso mesmo, toda a galera dessa meia dúzia de vôos pegou as malas ao mesmo tempo (depois de esperar 40 minutos por elas, claro) e quando todos foram tentar sair, o negócio simplesmente travou! Era tanta gente tentando sair ao mesmo tempo que ninguém conseguia sair do lugar, foi ridículo!

Na verdade não era tanta gente assim (meia dúzia de vôos para um aeroporto de uma cidade que quer receber uma Copa do mundo? Deveria ser pouco, mas esqueci que estamos no Brasil…), o problema é que aquele saguãozinho de merda não tem espaço suficiente (se chegarem 2 vôos ao mesmo tempo já fudeu tudo), as esteiras são pequenas e o serviço de levar as malas até elas é ineficiente. Além disso havia apenas uma funcionária tentando – em vão – organizar a fila. É isso aí, UMA pessoa tentando organizar centenas. E digo mais, uma pessoa totalmente perdida, sem preparo nenhum, gritando com os passageiros, perdendo o controle da situação, estressando a tudo e todos (inclusive ela própria). Preciso dizer que a fila foi improvisada, e por isso era toda torta e confusa? É com esse maldito jeitinho brasileiro que pretendemos receber milhares de turistas para a Copa?
E ainda por cima conseguiram a façanha de quebrar o cadeado da minha mala! Parabéns a todos os envolvidos!

E pensar que alguns minutos antes eu estava feliz porque a fila da imigração foi rápida. O Brasil é assim mesmo, quando não faz merda na entrada, faz na saída.

Infraestrutura

Até aqui estamos perdendo feio, mas se preparem que agora sim vem a humilhação.

Heathrow tem 3 estações do metrô que servem a diferentes terminais do aeroporto. TRÊS estações!! TRÊS!!!! No mesmo aeroporto!!! Guarulhos tem… cof cof… deixa pra lá.

Sem contar que você também pode ir para Heathrow de trem, ônibus e até de bicicleta! Ah sim, alguém já viu a estrutura de transportes públicos de Londres? É tudo integrado, pontual e eficiente. Claro que não é perfeito, deve atrasar e quebrar às vezes, mas mesmo assim deixa a gente no chinelo. Enquanto isso, São Paulo está em algum canto, se escondendo de vergonha, sonhando com o trem que vai até o aeroporto. Meu palpite é que NÃO vai ficar pronto até a Copa e que o preço vai ser abusivo.

Obviamente você também pode ir de carro ao aeroporto, e neste item também somos humilhados. Heathrow tem vários estacionamentos em volta, servidos por linhas de ônibus que te levam aos terminais do aeroporto de graça. Em um desses estacionamentos, tinha mais de 6 pontos! É isso mesmo, 6 pontos de ônibus DENTRO do estacionamento!! Correção: dentro de UM DOS estacionamentos!! Já mencionei que esses ônibus são de graça?

Enquanto isso, em Guarulhos, o único e pateticamente minúsculo estacionamento já estourou o limite. Como bem reparado neste fórum, qualquer Carrefour ou shopping center tem mais vagas que o nosso querido aeroporto de merda!

Sites

Para terminar a surra, compare os sites de Heathrow e de Cumbica e tire suas próprias conclusões. Não falo nem de layout e outras frescuras, falo da quantidade e qualidade das informações que cada um possui. Isso porque o nosso aeroporto é menor que o deles, teoricamente seria bem mais fácil fazer um site completo e abrangente sobre tudo que tem lá. Mas nem isso conseguimos fazer direito.

E para fechar com chave de “ouro”, uma pérola: achei um site que parece ser exclusivamente do estacionamento do aeroporto. Só tem um detalhe: não tem uma informação útil! Nem o “clique aqui” é clicável! (pode procurar, não é mesmo!)

Para piorar, às vezes parece que foi uma criança de 5 anos que escreveu os textos. Na seção de “Vantagens”, é dito que “O valor é outra vantagem, pois geralmente o aeroporto não fica próximo a sua residência e o valor do taxi fica alto”. É isso mesmo, táxi sem acento. Sem falar da constatação “genial” de que a maioria das pessoas mora longe do aeroporto. Já li todo o conteúdo – que não é muito – e não sei se choro ou dou risada.

Eu desisto.

Triste conclusão

Não adianta, podemos nos orgulhar de ser um povo alegre, “que não desiste nunca”, que sempre dá um jeito pra tudo, e aquela baboseira toda, mas nunca seremos um país realmente sério, onde as coisas funcionam de verdade. O nosso principal aeroporto está no limite (se é que já não passou) e o governo acha que está tudo certo para receber a Copa e as Olimpíadas. Nem vou entrar no mérito do nosso dinheiro sendo usado e abusado nesta “grande festa”, estou focando apenas na infraestrutura, que é só a ponta do iceberg.

Eu quero estar bem longe do aeroporto quando os turistas chegarem. Prevejo caos, desordem e o governo tentando encobrir e fingindo que está tudo bem (ainda mais se for a Dilma, que deve seguir o estilo Lula do “eu-não-sabia-é-tudo-invenção-da-imprensa”). Alguém duvida que vai ser diferente?

Oi, tudo bem? Claro que não!!

Depois da experiência anterior com a Net, achei que havia chegado ao fundo do poço do inferno dos call centers. Mas não há nada tão ruim que não possa piorar. Desta vez precisei ligar para o atendimento da Oi.

No primeiro contato, a ligação estava péssima, mal dava para entender o que o atendente falava. Eu pedi para ele repetir, e é claro que ele ficou irritado, começou a gritar de forma mal educada e disse para esperar enquanto verificava sei-lá-o-que no sistema. Claro que também me pediram o DDD, número do celular, nome completo e data de nascimento (isso porque teoricamente o call center já deveria detectar qual o telefone que está ligando, mas isso seria exigir demais de uma empresa de telefonia, não é mesmo?). Depois de 5 minutos de completo silêncio, a ligação do nada é transferida.

Atende outro sujeito, a ligação novamente está ruim (o problema não é com meu aparelho, já que fiz outras ligações no mesmo dia e estava normal) e novamente o sujeito ficou irritado quando eu pedi para ele repetir o que disse devido à péssima qualidade da ligação. De novo ele me pede o DDD, número do celular, nome completo e data de nascimento (para que integrar os sistemas, não é mesmo? vamos complicar tudo para o atendimento demorar mais). Novamente silêncio de 5 minutos e nova transferência.

Atende outra pessoa, eu digo que já fui transferido 2 vezes e só gostaria de saber quem é que poderia resolver meu problema (que em tese é simples: habilitar o roaming internacional). Ela pede meus dados de novo (DDD, número de celular, nome completo e data de nascimento) e me transfere de novo.

Quarto atendente, a ligação continua ruim, eu peço para repetir e mais uma vez o sujeito fica irritado. Ora, eu não tenho culpa se um call center que basicamente usa o telefone não consegue ter a competência de ter uma linha decente sem ruídos, fique irritado com quem fez esta merda, não comigo, porra! Eu digo que quero habilitar roaming internacional e o sujeito entende que é cancelamento. (se eu quisesse cancelar, talvez não fosse tão fácil assim). Eu digo que não, explico tudo de novo, novamente é pedido meu DDD, número de celular, nome completo e data de nascimento. Silêncio de 5 minutos e… finalmente sou atendido.

Ou não? Sei lá, me deu um medo enorme do sujeito ter cancelado tudo ou feito qualquer outra coisa bizarra no sistema. Pior que só vou descobrir quando já for tarde.

Ah sim, para fechar com chave de ouro, os filhos da puta não me deram um número de protocolo! Já fiz a devida reclamação na Anatel, vamos ver se funciona (não estou muito otimista, mas vamos dar uma chance, né?)

Por fim, concluo que, por pior que seja o call center da Net, existem coisas ainda piores e muito mais horrendas, como esta porcaria da Oi. Não dá nem para chamar de call center, de tão ruim que é. Espero NUNCA MAIS precisar desta bosta. Voltando de viagem vou começar a procurar outra operadora.

Update: algumas horas depois chegou o número do protocolo (por que não informar na mesma ligação como todos os outros call-centers fazem?). Para finalizar,  quando eu estava lá na gringa, toda vez que alguém me ligava aparecia o meu próprio número no identificador de chamadas! Eu consegui ligar para mim mesmo, olha só! Sensacional, não? 🙂

Mas não pode elogiar mesmo

Não adianta. Foi só elogiar a Net que ela começou a dar mancada.

Foi só falar bem do atendimento, etc e tal, que algumas semanas depois a internet caiu. Assim, do nada. E mais de uma vez. Liguei no call center, fiquei meia hora e nada. O sujeito foi agendar uma visita e o sistema caiu. Desisti. Por sorte, alguns dias depois, ela voltou.

Agora foi a TV. 90% dos canais não funcionam mais. Assim, do nada. Os poucos que funcionam são os que eu nunca assisto. Liguei e já estou há mais de 20 minutos escutando musiquinhas genéricas e mensagens dizendo que a Net é rápida etc e tal. Sim, estou escrevendo este texto enquanto espero algum atendente me atender. Já li meus emails, meus feeds, assisti alguns vídeos idiotas no youtube e não aguento mais essa espera. O mais legal é que tenho o protocolo (003100338467421) mesmo sem ter sido atendido. É só ligar que já te dão um protocolo. Deve ser por isso que esse número é tão grande.

Será possível que não se pode elogiar nada? Quando finalmente eu acho que encontrei uma empresa séria que prioriza o atendimento ao cliente, quebro a cara e percebo que a realidade é uma merda.

Quem diria, reclamar às vezes funciona

Há algumas semanas atrás, alguns canais da Net estavam fora. Liguei para o call center já esperando aquela aporrinhação característica, mas dessa vez superaram qualquer expectativa. Fui atendido pela atendente mais mal educada, mal humorada e provavelmente mal comida que nenhum call center jamais concebeu. Mal acabei de falar meu CPF e já fui tratado com descaso, desdém, tom de voz agressivo e vários “aff” durante a conversa. Isso porque ainda nem tinha explicado meu problema. Foi a pior experiência que tive, bem pior que ficar uma hora escutando musiquinha para ser atendido, muito pior que a ligação “cair” no exato instante em que eu disse que iria cancelar o serviço.

Em compensação, o técnico que veio em casa alguns dias depois resolveu o problema de maneira rápida e eficiente. Mas o péssimo atendimento do call center ficou entalado na garganta. Resolvi enviar uma reclamação para a Net, mesmo sabendo – baseado em experiências anteriores com empresas que não estão nem aí para os clientes – que não daria em nada. Entrei no site, loguei na minha conta de assinante, preenchi o formulário informando o gigantesco número de protocolo e desencanei, achando que a minha reclamação iria parar em um limbo qualquer.

E não é que, para minha surpresa, alguns dias depois a Net me liga? Eles não só pediram “desculpas por todo o constrangimento”, como também me ofereceram um aumento na velocidade da internet, por um preço promocional. Desconfiado que sou, fui conferir no site e lá estava o preço que me ofereceram. Mas no site a promoção era por tempo limitado (dizem), já no meu caso eles fariam esse preço “para sempre”. Bom, como este tipo de situação é raro, aceitei. A velocidade realmente aumentou, e por enquanto o preço está certo.

Pois é, reclamar às vezes funciona.

Errar é humano, mas dá pra amenizar

Eles estavam demorando, no começo estavam meio tímidos, mas com o tempo foram aparecendo, cada vez piores. Errar é humano, apitar o erro é burrice, negar o uso da tecnologia para minimizar os erros, além de uma burrice maior ainda, é sinal de mentalidade ultrapassada, ranzinzice retrógrada e estupidez sem tamanho. E como sempre, cada vez que acontece uma cagada gritante, o assunto volta à tona. A Fifa, esse bando de senis idiotas, que é a responsável pelo futebol, diz que não é responsabilidade dela. (Como assim?)

Apesar da Fifa ter soltado aquela conversa pra boi dormir, dizendo que vai rever a questão após a copa, blablabla, zzzzz… Bem, é sabido que os velhinhos que dirigem a entidade não devem se dar muito bem com essas coisas de tecnologia e tal, mas tem uma medida muito mais simples, que poderia ser bem mais eficaz para evitar erros grotescos que sempre ocorrem. A ideia, inclusive, é inspirada em outros esportes.

O tênis, por exemplo. A quadra tem 23,77m por 8,23m e 5 juízes em média (varia de acordo com o torneio). Bom, se considerarmos 5, cada juíz cobre uma área aproximada de 39 metros quadrados. Claro que não é exatamente isso, já que a maioria são juízes de linha, que ficam apenas vendo se a bola saiu, mas o fato é que são funções altamente especializadas, já que este é um fator crítico para o resultado do jogo. E se um deles falhar, ainda há a possibilidade de usar a tão temida (só pela Fifa, claro) tecnologia, com o tira-teima que é um dos recursos mais legais que existem no tênis.

No vôlei é parecido, a quadra tem 18 x 9 metros e 2 árbitros principais (o de cima e o de baixo), além de 2 fiscais de linha de cada lado. São, portanto, 27 metros quadrados para cada um. Novamente a conta é grosseira e não reflete a realidade, já que na prática os fiscais de linha só precisam cuidar das extremidades, o que dá uma área bem menor para prestar atenção. No vôlei de praia as dimensões são parecidas, e a média não fica muito diferente disso.

Agora no futebol a coisa é bem diferente. Se pegarmos os valores mínimos das medidas oficiais (90 x 45m) e dividirmos pelos 4 árbitros dá mais de 1000 metros quadrados para cada um. Isso sem levar em conta que o quarto árbitro não faz porra nenhuma (eu sei que ele faz, mas não é nada que possa influenciar o resultado de uma partida).

Ou seja, se no vôlei, basquete, tênis e até futebol de salão, em que os árbitros tem um espaço muito menor para prestar atenção, já ocorrem erros, que dirá no futebol, que exige que o juiz seja um super-homem. Além de correr pra caralho, o sujeito tem que ter uma visão além do alcance. A regra do impedimento muitas vezes é inviável para o olho humano. Sem contar que a visão também tem que ser de raios-X, pois sempre tem aquela desculpa de que o jogador encobriu a visão do árbitro. Ele é um só e a área a ser coberta é muito grande. Se tivesse um sujeito de cada lado só pra ver se a bola entrou, outro só pra verificar os impedimentos e assim por diante, já diminuiria bastante a quantidade de erros.

Mas nem mudanças simples como essa são sequer cogitadas pela Fifa. Ela só é o que é, e só se dá o luxo de ser tão arrogante pelo fato do futebol ser tão popular. Só nos resta então esperar, escutar as promessas de que mudanças serão feitas e se frustrar por não terem sido implementadas (ou alguém aí realmente acredita que algo vai mudar?).